Homem executado em Palhoça: criminosos se passam por policiais

Na noite de 24 de maio, Paulo Roberto Correa, de 49 anos, foi assassinado em sua residência localizada na Rua Engídia Dovina Martins, no bairro Caminho Novo, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Três homens encapuzados e armados invadiram o imóvel, alegando serem policiais. Eles renderam Paulo diante de sua família, o chamaram de “informante” e dispararam várias vezes, resultando em sua morte no local.

Ação policial e prisões

Cento e dois dias após o crime, a Polícia Civil deflagrou uma operação nesta quinta-feira (3), por meio da Delegacia de Homicídios de Palhoça. Foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão. As ações se concentraram no Centro de Palhoça e no próprio bairro Caminho Novo, onde um dos principais suspeitos foi encontrado escondido em uma casa.

O principal executor é apontado como o gestor de um ponto de tráfico na área conhecida como Macacari, que é dominada pela facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Durante a busca, a polícia apreendeu haxixe, uma balança de precisão, dinheiro e um carregador de arma de fogo municiado com cartuchos de calibre 9x19mm. Essas evidências resultaram em um auto de prisão em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de munição, além da prisão temporária pelo assassinato.

Motivação do crime

O assassinato de Paulo Roberto foi motivado por um incidente que ocorreu dias antes. Um traficante ligado ao PGC se escondeu em sua casa durante uma abordagem policial. Apesar de Paulo ter se defendido, afirmando ser um trabalhador e não ter ligação com o tráfico, a facção presumiu, sem provas, que ele havia entregado o criminoso à polícia. Essa suposição levou à sua execução.

Paulo era natural do Paraná e não tinha vínculos conhecidos com o tráfico na região. Sua morte foi uma retaliação baseada em acusações infundadas e não comprovadas. Na noite do crime, os três homens se apresentaram como policiais para facilitar a invasão da casa e, em seguida, abriram fogo.

O 16º Batalhão da Polícia Militar foi acionado, mas encontrou Paulo já sem vida. Para a polícia, este homicídio representa uma forma de intimidação à comunidade, demonstrando a lógica de um tribunal paralelo operado pelo tráfico, onde a acusação e a punição são decididas dentro do mesmo grupo.

Investigações em andamento

O terceiro suspeito que participou do crime ainda não foi identificado. As investigações pela Delegacia de Homicídios de Palhoça continuam, buscando esclarecer todos os detalhes e identificar outros possíveis envolvidos, incluindo os responsáveis pela ordem de execução. Um dos suspeitos permanece preso por tráfico e posse ilegal de munição, enquanto o outro está no sistema prisional. A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque Denúncia 181.