Da Editoria – A chuva de granizo que atingiu Biguaçu neste sábado deixou um rastro de prejuízos e preocupação. Centenas de famílias tiveram telhados danificados, casas atingidas e, de uma hora para outra, passaram a enfrentar um problema que não estava nos planos de ninguém.
Em momentos como esse, o que se espera é solidariedade. É gente ajudando gente. É poder público mobilizado, voluntários colocando a mão na massa e comunidades se unindo para minimizar os prejuízos de quem foi atingido.
Mas, infelizmente, não demorou para que alguns enxergassem na tragédia uma oportunidade política.
Nas horas seguintes ao temporal, começaram a aparecer nas redes sociais vídeos de candidatos a deputado, muitos deles de outras cidades, anunciando-se como voluntários e tentando associar suas imagens à situação enfrentada pelos moradores de Biguaçu.
A solidariedade é sempre bem-vinda. O problema começa quando ela vem acompanhada de câmera, discurso eleitoral e cálculo político.
Biguaçu não precisa de candidatos que apareçam na cidade apenas quando existe uma tragédia que possa render engajamento nas redes sociais. A cidade precisa de representantes que conheçam seus bairros, saibam onde estão as áreas mais vulneráveis, conheçam suas comunidades e estejam presentes também quando não há câmera ligada.
É muito fácil chegar depois que o granizo caiu, gravar um vídeo, vestir a camisa do “voluntário” e publicar nas redes sociais. Difícil é estar presente durante todo o ano, conhecer os problemas da cidade, ajudar a buscar recursos, acompanhar obras, cobrar soluções e construir uma relação verdadeira com a população.
Quem realmente conhece Biguaçu sabe que solidariedade não começou neste sábado e não terminará quando as últimas imagens do temporal desaparecerem das redes sociais.
E há algo ainda mais importante: a dor das famílias atingidas não pode ser transformada em material de campanha eleitoral.
Estamos em um ano eleitoral. É natural que candidatos procurem espaço, apresentem propostas e busquem conquistar o voto dos eleitores. Faz parte da democracia. O que não parece razoável é utilizar uma situação de emergência, vivida por centenas de famílias, como cenário para autopromoção.
A população de Biguaçu é inteligente e sabe diferenciar quem aparece para ajudar de quem aparece para ser visto.
Solidariedade verdadeira não precisa de palanque. Não precisa de santinho. Não precisa de vídeo com slogan. E, principalmente, não precisa transformar o sofrimento alheio em oportunidade eleitoral.
Que os candidatos que hoje aparecem em Biguaçu também estejam aqui amanhã. E depois de amanhã. Que conheçam a cidade para além das imagens de um temporal. Que caminhem pelos bairros, conversem com os moradores, conheçam suas necessidades e apresentem propostas concretas.
Porque Biguaçu não precisa de candidatos que descubram a cidade quando surge uma tragédia.
Biguaçu precisa de quem conheça a cidade antes da tragédia acontecer.
