PL muda de posição, passa a apoiar fim da escala 6×1 e defende jornada 4×3

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A bancada do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na Câmara dos Deputados, mudou de posição e passou a apoiar o fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso), além de defender o modelo 4×3.

O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (26), no plenário da Câmara, pelo líder do partido, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

“Tomamos a decisão de apresentar destaque de preferência para votarmos a escala 4×3 porque somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa e descansar com a família”, afirmou Cavalcante. “Não somos hipócritas nem oportunistas como este governo. Quero ver amanhã os petistas colocando sua digital.”

A análise da proposta começou nesta segunda-feira, durante reunião da comissão especial da Câmara, mas foi suspensa após o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) pedir vista do texto, interrompendo a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho.

Segundo o relator, deputado Leo Prates (PDT-BA), a expectativa é que a discussão seja retomada nesta quarta-feira e encaminhada ao plenário até quinta-feira, 28. A proposta prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com período de adaptação de até 14 meses após a promulgação.

Durante o discurso, Sóstenes também fez um apelo ao Partido dos Trabalhadores (PT), ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e a parlamentares de esquerda e centro, grupos que tradicionalmente defendem mudanças na jornada de trabalho.

“Já que vocês dizem que defendem o trabalhador, votem conosco. Para acabarmos com essa malfadada escala 6×1. Nós vamos votar a favor da escala 4×3 e aí veremos em que Brasil vivemos”, declarou.

Até então, o Partido Liberal havia decidido adotar uma postura contrária à PEC do fim da escala 6×1, intensificando discursos críticos a uma das pautas consideradas prioritárias pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o debate eleitoral. No entanto, o partido voltou atrás.

Para defensores da mudança, o principal argumento é a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Já associações empresariais e entidades do setor produtivo demonstram preocupação com o aumento dos custos para empresas, que teriam de reorganizar escalas e operações para se adaptar ao novo modelo.