Pitanta é alvo de operação da PF que investiga desvio de R$ 16 milhões em Palhoça

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quinta-feira (29), a Operação Casa de Palha, que investiga suspeitas de irregularidades em aplicações financeiras do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos de Palhoça (IPPA). O possível prejuízo aos cofres da previdência municipal é estimado em R$ 16 milhões.

Entre os alvos da investigação está o vereador Nirdo Artur Luz, conhecido como Pitanta (PL), de 72 anos, considerado o vereador mais longevo do Brasil. Atualmente presidente da Câmara Municipal de Palhoça, ele está no 12º mandato consecutivo e integra o Legislativo municipal desde 1977.

A investigação concentra-se em operações financeiras realizadas em 2013, quando Pitanta, então presidente da Câmara, assumiu interinamente o comando da Prefeitura de Palhoça por aproximadamente seis meses.

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Segundo a Polícia Federal, os recursos do instituto previdenciário teriam sido aplicados irregularmente em fundos de investimento, sem o cumprimento das formalidades exigidas. As apurações apontam indícios de que parte do dinheiro possa ter retornado a agentes públicos envolvidos no esquema.

Também há suspeitas de que os valores tenham sido utilizados na aquisição de imóveis e veículos registrados em nome de terceiros.

Mandados em Palhoça e São José

Durante a Operação Casa de Palha, os policiais federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços residenciais ligados aos investigados. Três deles ficam em São José e um em Palhoça, onde reside o vereador.

A Polícia Federal também solicitou à Justiça o bloqueio de valores, a indisponibilidade de imóveis e o sequestro de veículos e embarcações pertencentes aos investigados e a empresas relacionadas ao caso. As medidas têm como objetivo preservar patrimônio para eventual reparação dos prejuízos estimados em R$ 16 milhões.

A investigação começou após auditorias da Secretaria de Previdência identificarem irregularidades nas aplicações dos recursos do fundo municipal.

Os crimes investigados são gestão fraudulenta, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Vereador nega participação

Em manifestação sobre a operação, Pitanta afirmou que não assinou documentos relacionados às operações financeiras investigadas e que também não participou das decisões referentes aos investimentos questionados.

O parlamentar ressaltou que o Instituto de Previdência dos Servidores de Palhoça possui autonomia administrativa e financeira, com estrutura própria para administrar os recursos previdenciários.

A Prefeitura de Palhoça informou que os fatos investigados dizem respeito ao exercício financeiro de 2013 e que a atual administração está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.

O IPPA, por sua vez, afirmou repudiar qualquer conduta que viole as normas de governança e transparência na gestão dos recursos destinados às aposentadorias e pensões dos servidores municipais.

A Polícia Federal dará continuidade às investigações a partir da análise dos materiais apreendidos durante a operação, com o objetivo de reunir novas provas e identificar possíveis outros envolvidos.

A investigação ainda está em andamento, e não há condenação dos envolvidos.