O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), classificou como leviandade a declaração do senador Flávio Bolsonaro de que ele estaria fazendo campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reação nas redes sociais e sabatina A resposta do ex-comandante ocorreu por meio de uma postagem na rede social X, antigo Twitter. A manifestação veio após o parlamentar ser questionado em uma sabatina na TV Globo sobre os depoimentos de lideranças militares acerca da tentativa de ruptura institucional no encerramento da gestão de Jair Bolsonaro. Baptista Junior apontou que a menção a um suposto direcionamento político serviu apenas para o candidato esquivar-se de responder ao questionamento central do debate.
Detalhes do depoimento ao STF Durante as investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal, o oficial foi um dos ouvidos por ter resistido firmemente às pressões golpistas. Nos autos, ele detalhou reuniões em que se discutiram medidas de exceção para impedir a posse do atual governo, além de recusar receber cópias de minutas antidemocráticas. Na mesma linha, relatou que o general Freire Gomes alertou Bolsonaro sobre o risco de prisão caso seguisse com o plano, enquanto a Marinha teria colocado tropas à disposição do esquema.
Bastidores e lançamento de livro Diante da polêmica, o militar sugeriu que o senador aguarde a leitura de seu livro, intitulado “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, antes de tecer novos comentários públicos sobre sua trajetória. A obra detalha os bastidores da crise institucional vivida pela cúpula das Forças Armadas.
Alerta aos aliados da campanha Além de rebater o candidato à Presidência, o ex-comandante direcionou um recado crítico ao coordenador-geral da campanha, o senador Rogério Marinho, aconselhando que a equipe evite posturas autoritárias ou intimidadoras em relação aos críticos do grupo político.
A repercussão dessas declarações evidencia o impacto duradouro das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022, cujos desdobramentos judiciais resultaram na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em setembro de 2025.
