O cenário das exportações de Biguaçu passou por uma mudança significativa em apenas um ano. Se em 2024 os Estados Unidos lideravam o ranking dos principais destinos dos produtos fabricados no município, em 2025 o Vietnã assumiu a primeira colocação, enquanto o mercado norte-americano caiu para o segundo lugar. E no 1º semestre de 2026, os vietnamitas importaram quase três vezes mais que os estadunidenses, consolidando a troca de destino. A alteração ocorre justamente no período marcado pelos impactos do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
Os dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que em 2024 (antes do tarifaço) os EUA importaram US$ 6,402 milhões ( R$ 32,6 mi) e o Vietnã US$ 5,061 mi (R$ 25,8 mi). Já em 2025, quando iniciaram as tarifas, o Vietnã importou US$ 8,56 milhões (cerca de R$ 43 milhões) em produtos de Biguaçu, ultrapassando os US$ 6,86 milhões (R$ 35 milhões) destinados aos Estados Unidos. E no 1º semestre de 2026 essa diferença quase que triplicou, com Vietnã importando US$ 6,829 milhões (cerca de R$ 34,8 mi) e os EUA US$ 2,683 mi (R$ 13,6 mi).
A mudança representa um reposicionamento importante da pauta exportadora do município. Embora não seja possível atribuir toda a mudança exclusivamente às tarifas norte-americanas, o período coincide com um movimento observado em diversas regiões do país: a busca por novos mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos e minimizar riscos provocados pelas barreiras comerciais.
Veja a migração através dos dados do Comex:



Diversificação reduz dependência
Quando o Biguá News publicou a primeira reportagem sobre o tarifaço, em 2025, a preocupação era com os impactos sobre um dos principais mercados consumidores das empresas instaladas em Biguaçu. Na época, os Estados Unidos ocupavam a liderança entre os destinos das exportações locais.
Um ano depois, apesar de continuarem sendo um parceiro comercial estratégico, os norte-americanos deixaram de ser o principal comprador dos produtos biguaçuenses. O Vietnã passou a liderar as importações, indicando que parte das empresas conseguiu ampliar negócios em outros mercados internacionais.
A mudança reforça uma estratégia considerada fundamental por especialistas em comércio exterior: quanto menor a dependência de um único país comprador, menor a vulnerabilidade a crises diplomáticas, mudanças tarifárias ou oscilações econômicas.
Mercado americano continua relevante
Mesmo com a perda da liderança, os Estados Unidos seguem entre os principais destinos das exportações de Biguaçu. Segundo o levantamento do Comex Stat, as vendas para o mercado americano somaram cerca de R$ 35 milhões em 2025, valor que permanece exposto aos efeitos da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos EUA para diversos produtos brasileiros.
Entre os principais produtos exportados pelas empresas do município estão farinhas e gorduras de peixe utilizadas na fabricação de ração animal, produtos plásticos como embalagens e tampas de recipientes, além de vidros, papel, embarcações e equipamentos elétricos. Parte dessa produção integra cadeias globais de fornecimento, o que amplia a importância da abertura de novos mercados.
Tendência também aparece no cenário nacional
O reposicionamento observado em Biguaçu acompanha uma tendência vista em outras regiões brasileiras. Desde o início das disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos, empresas exportadoras passaram a intensificar negócios com países da Ásia, Europa e outros mercados, reduzindo gradualmente a concentração das vendas externas no mercado norte-americano.
Para Biguaçu, a ascensão do Vietnã ao topo da lista de compradores demonstra que a indústria local conseguiu ampliar sua presença em novos destinos internacionais. Ao mesmo tempo, o mercado americano continua sendo estratégico, o que mantém a atenção dos exportadores voltada às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e aos possíveis desdobramentos das tarifas sobre a competitividade dos produtos brasileiros.




