Brasil ocupa a 44ª posição em sustentabilidade previdenciária, diz estudo

O Brasil enfrenta sérias dificuldades para assegurar o financiamento das aposentadorias nas próximas décadas, conforme revela o Índice Global de Previdência 2026, divulgado recentemente. O país alcançou apenas 57 pontos em uma escala que vai de zero a 100, caindo quatro posições no ranking, agora ocupando o 44º lugar. A nota geral manteve a classificação C, mas a sustentabilidade, que avalia a capacidade dos sistemas de manter o pagamento de benefícios a longo prazo, obteve apenas 32,1 pontos, a quinta pior nota entre 55 sistemas analisados.

Sustentabilidade em foco

O resultado evidencia um descompasso entre a proteção oferecida aos aposentados atuais e a necessidade de garantir a viabilidade financeira do sistema para futuras gerações. Enquanto o Brasil registrou 69,1 pontos em adequação dos benefícios e 72,6 em integridade, a pontuação em sustentabilidade ficou consideravelmente abaixo, com uma diferença de 37 pontos em relação à adequação.

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Diante do envelhecimento acelerado da população brasileira, essa fragilidade torna-se ainda mais crítica. Projeções do IBGE indicam que a parcela de pessoas com 60 anos ou mais, que era de 15,6% em 2023, deve chegar a 37,8% em 2070. Em termos absolutos, o número de idosos deve saltar de 33 milhões para cerca de 75,3 milhões. Isso significa que, nas próximas décadas, haverá uma proporção menor de trabalhadores ativos para sustentar um número crescente de aposentados.

Consequências da informalidade

A pressão demográfica acentua os desafios de financiamento, especialmente em um país com elevada informalidade no mercado de trabalho e desigualdade de renda. Segundo Tiago Calçada, diretor de Investments and Retirement da Marsh Brasil, o estudo reforça a urgência de reformas que equilibram a proteção dos beneficiários atuais com a sustentabilidade futura. Ele destacou que, embora o Brasil tenha avançado moderadamente, uma abordagem mais robusta é necessária para garantir a saúde do sistema previdenciário.

Detalhes do avanço

A nota de 57 pontos em 2026 representa um incremento de apenas 0,8 ponto em relação a 2025. Apesar de manter a classificação C, houve uma queda na pontuação de adequação, que passou de 70,6 para 69,1, enquanto a sustentabilidade subiu levemente de 31,8 para 32,1. A integridade, que considera governança e regulação, teve um avanço significativo de 67,3 para 72,6.

Desempenho regional

O Brasil também ficou abaixo da média de 62,6 pontos dos nove países latino-americanos analisados. O Chile lidera a região com 79,2 pontos, seguido pelo México e Uruguai, que superam a pontuação brasileira. Na outra extremidade, a Argentina obteve 43,7 pontos, a menor nota entre os países estudados. A média de adequação dos benefícios na América Latina foi de 66,5, enquanto a sustentabilidade ficou em 52,1, evidenciando que a dificuldade em equilibrar proteção social e financiamento a longo prazo não é exclusiva do Brasil.

Desafios demográficos

O desafio previdenciário brasileiro está intrinsecamente ligado a uma transformação demográfica que se intensifica. As projeções do IBGE indicam que a população do Brasil deve estagnar em 2041, alcançando cerca de 220,4 milhões de habitantes. A partir deste ponto, a tendência é que a população comece a diminuir, com um aumento na proporção de idosos. A taxa de fecundidade, que caiu de 2,32 filhos por mulher em 2000 para 1,57 em 2023, contribui para a alteração na relação entre contribuintes e beneficiários.

No contexto global, os Países Baixos lideram o ranking com 85,8 pontos, seguidos pela Dinamarca e Islândia. A pesquisa considera três dimensões principais: adequação, sustentabilidade e integridade. A maior melhora observada se deu nos aspectos institucionais, enquanto a capacidade de financiar benefícios de longo prazo ainda apresenta desafios significativos.

A questão central permanece: como garantir que as futuras gerações tenham acesso a um sistema previdenciário que não amplie as dificuldades financeiras enfrentadas atualmente?