Biguaçu estuda aproveitar areia retirada do Rio Biguaçu para engordar praias do município

Biguaçu poderá transformar uma obra de desassoreamento do Rio Biguaçu em uma oportunidade para recuperar trechos de seu litoral. A ideia surgiu dentro do gabinete do prefeito Alexandre Martins de Souza (Podemos) após conversas com os engenheiros da empresa que realizará a dragagem do rio.

Com a previsão de retirada de aproximadamente 603 mil metros cúbicos de material dragado, considerando os itens de dragagem do rio e da Baía Norte, começaram, dentro da Prefeitura, as conversações sobre a possibilidade de aproveitar parte desse material no engordamento de praias do município, especialmente na Praia João Rosa e no Balneário de São Miguel.

A proposta é utilizar a areia que será removida durante a dragagem para ampliar a faixa de areia das praias, em uma iniciativa que, caso seja considerada viável, poderá reduzir a necessidade de buscar material em outras áreas e aproveitar os sedimentos retirados durante a intervenção.

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A obra de desassoreamento tem como objetivos melhorar as condições de escoamento da água, contribuir para a prevenção de alagamentos e facilitar a circulação de embarcações no Rio Biguaçu.

Como a areia poderia ser aproveitada?

O reaproveitamento dos sedimentos é uma possibilidade prevista nas normas ambientais brasileiras, mas não pode ocorrer de maneira automática. Para que a areia retirada do rio seja utilizada no litoral, será necessário verificar se suas características são compatíveis com as condições naturais das praias que receberiam o material.

O primeiro passo seria realizar análises granulométricas, que identificam o tamanho e a distribuição dos grãos, além de estudos sobre a composição e a qualidade ambiental dos sedimentos.

As regras do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) permitem avaliar o aproveitamento benéfico de materiais dragados para a alimentação artificial de praias, desde que sejam atendidos os requisitos técnicos e ambientais e que a proposta seja aprovada no processo de licenciamento.

Praia João Rosa e Balneário de São Miguel

A Praia João Rosa e o Balneário de São Miguel estão entre os locais que poderão ser considerados em uma eventual iniciativa de recuperação da faixa de areia.

Para definir quais áreas poderiam receber o material, a Prefeitura precisaria contratar ou elaborar estudos de engenharia costeira, com levantamento da situação atual das praias, avaliação da dinâmica das ondas e correntes e definição do volume necessário para cada trecho.

Esses estudos também determinariam a espessura da camada de areia, o perfil que a praia deverá apresentar após a intervenção e a maneira como o material será distribuído.

Draga utilizada em obras de Florianópolis

A operação de desassoreamento será realizada com equipamentos especializados em dragagem. A referência a uma draga que já trabalhou em obras de engordamento de praias de Florianópolis reforça a possibilidade de utilizar uma estrutura desse tipo para retirar grandes quantidades de sedimentos.

Em Florianópolis, intervenções de alimentação artificial de praias foram realizadas em locais como Canasvieiras, Jurerê e Ingleses, com o objetivo de ampliar a faixa de areia e enfrentar problemas relacionados à erosão costeira.

Como o material seria transportado até as praias?

Caso os estudos confirmem a viabilidade, uma das alternativas seria desenvolver um sistema de transporte hidráulico, utilizando tubulações para conduzir a mistura de água e sedimentos até os pontos de deposição.

Nesse modelo, o material seria bombeado por dutos, depositado na área delimitada pelo projeto e posteriormente espalhado e conformado com equipamentos terrestres, conforme as especificações da obra.

Outra possibilidade dependeria das condições de acesso e da logística disponível para a operação. A escolha do método exigiria comparar custos, distâncias, equipamentos necessários e impactos ambientais.

O planejamento também precisaria estabelecer como a água utilizada no transporte seria drenada e como os sedimentos seriam controlados para evitar o carreamento de material fino para áreas sensíveis.

Licenciamento ambiental será decisivo

Além da análise da areia, a proposta precisaria passar pelas autorizações ambientais pertinentes. A dragagem do rio e a alimentação artificial das praias são intervenções distintas e precisam estar contempladas nas licenças e nos projetos aplicáveis.

Também seria necessário verificar as exigências relativas à utilização de áreas sob domínio da União, quando aplicáveis, e às autorizações dos órgãos responsáveis.

O projeto de engordamento deveria incluir medidas de acompanhamento da qualidade da água, da estabilidade da faixa de areia e dos possíveis efeitos sobre os ecossistemas costeiros.

Uma oportunidade que depende de estudos

O aproveitamento da areia retirada do Rio Biguaçu poderá representar uma alternativa para associar a melhoria das condições do rio à recuperação de áreas do litoral do município.

A proposta, porém, ainda depende da confirmação da viabilidade logística e da obtenção das autorizações necessárias.

Se os estudos forem favoráveis, Biguaçu poderá avançar na elaboração de um projeto para aproveitar o material dragado na Praia João Rosa, no Balneário de São Miguel ou em outros trechos considerados prioritários.

Por enquanto, a possibilidade está em fase de conversações. A execução de um eventual engordamento dependerá da conclusão dos estudos técnicos e ambientais e da definição de como a iniciativa poderá ser implementada.