A cada entrevista de Zema, aumenta o desconforto de Adriano Silva com o Novo

Upiara – Aconteceu de novo e vai acontecer mais e mais vezes até o fim da disputa presidencial: a cada entrevista do presidenciável Romeu Zema (Novo) fustigando o também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), aumenta o desconforto do pré-candidato vice-governador Adriano Silva (Novo), futuro parceiro de chapa do governador Jorginho Mello (PL). Desta vez, o ex-governador mineiro aproveitou o quebra-queixo – expressão dos jornalistas para aquela entrevista coletiva cheia de microfones coloridos emparedando o entrevistado – para dizer a seguinte frase:

– Eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda mais uma vez essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve o seu posicionamento enquanto ele [Flávio] caiu, isso se não surgir mais nada daqui por diante.

A reação do pré-candidato a senador Carlos Bolsonaro (PL-SC) foi quase imediata, com um texto na rede social X em que usava a palavra “facada” para definir mais uma fala do presidenciável do Novo – referência mais do que óbvia ao atentado que o pai, Jair Bolsonaro, sofreu na campanha eleitoral de 2018. Por coincidência, em Minas Gerais.

– Estou para conhecer sujeito mais baixo que esse! Tentamos e na primeira oportunidade vem mais uma facada! E não me venham que isso é pontual, pois não é! – reagiu Carlos Bolsonaro.

Zema, estilo Ciro Gomes

Fica cada vez mais evidente que Romeu Zema vai apostar tudo na busca do eleitor anti-petista com a tese de que tem mais viabilidade eleitoral contra o presidente Lula (PT) do que o combalido Flávio Bolsonaro. E que não vai hesitar em usar a relação entre o senador do Rio de Janeiro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para trazer esse eleitor para si.

Curiosamente, lembra a estratégia de Ciro Gomes em 2018, ainda no PDT, quando tentou trazer o eleitor de Lula – à época preso em Curitiba – com o argumento de que tinha mais viabilidade eleitoral contra Jair Bolsonaro no segundo turno do que o ungido Fernando Haddad (PT). Essa história, como sabemos, terminou em 12,47% dos votos, uma viagem para Paris e vitória de Bolsonaro sobre o petista no segundo turno.

No duelo de paixões da política brasileira contemporânea, ter razão não tem sido um bom argumento.

Enquanto isso, em Santa Catarina

Por aqui, é cada mais difícil ignorar que a cada entrevista de Romeu Zema criticando Flávio Bolsonaro repercute nas lideranças políticas locais. O Novo não apenas está na chapa quase pura do PL em Santa Catarina, como teve auxílio do governador Jorginho Mello na montagem das chapas de deputado estadual e federal. O partido hoje tem o deputado federal Gilson Marques e o deputado estadual Matheus Cadorin e sonhar em ampliar a representação.

Principal nome do partido, Adriano Silva tem se mantido discreto desde a crise gerada pela reportagem do The Intercept Brasil que vazou a gravação de áudio de Flávio Bolsonaro cobrando parcelas atrasadas do financiamento prometido por Daniel Vocaro para filme Black Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro até a vitória eleitoral de 2018.

No dia seguinte, Jorginho almoçou em Joinville com Adriano e disse que o que acontece em Brasília, é problema de Brasília, não dos Estados. Até porque o próprio governador volta e meia tem que se incomodar com um Valdemar da Costa Neto falando mais que a boca – hoje não foi diferente, com o presidente nacional do PL dizendo à GloboNews que Flávio Bolsonaro foi à casa de Vorcaro tentar conseguir o dinheiro que faltava para o filme.

Com aliados assim, quem precisa de adversário?

Conversa franca (e discreta)

Na visita a Santa Catarina na semana passada, Adriano Silva não ignorou Zema, mas também não mudou as próprias agendas para acompanhar todo o roteiro do presidenciável do Novo. Em particular, disse que ao ex-governador de Minas Gerais que sua postura atrapalha a aliança com o PL no Estado.

Por sua vez, Zema lembrou o óbvio: ele é concorrente de Flávio Bolsonaro.