30 fundos imobiliários superam CDI em dividendos; veja quais são

Na última quarta-feira (4), o Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, e um estudo revelou que 30 fundos imobiliários do Ifix estão pagando dividendos superiores ao CDI, que atualmente está em 13,65% ao ano. Apesar disso, a maioria desses fundos viu suas cotas caírem nos últimos 12 meses, sendo os rendimentos mensais a principal fonte de retorno positivo para muitos deles.

Análise detalhada

O levantamento, realizado pelo InfoMoney com dados da Economatica, incluiu 97 fundos do Ifix e calculou o dividend yield (DY) com base nos rendimentos distribuídos nos últimos 12 meses em relação à cotação de um ano atrás. É importante ressaltar que a projeção considera a manutenção do nível de distribuição, o que não é garantido.

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Apenas duas das cotas analisadas conseguiram se valorizar durante o último ano: as do Polo Crédito Imobiliário (PORD11) e do BTG Pactual Shoppings (BPML11). No índice Ifix, 94 dos 97 fundos apresentaram queda, especialmente após as eleições, quando o índice registrou uma queda de 5,68% no primeiro pregão após o segundo turno, marcando a terceira pior sessão de sua história.

Perspectivas de retorno

Apesar do cenário de queda, 19 dos 30 fundos da lista apresentaram resultados positivos quando os rendimentos são considerados. O PORD11 foi o líder em retorno total, com 16,8%, seguido pelo BPML11, com 14,7%, e pelo Suno Recebíveis (SNCI11), com 14%. A maioria dos fundos listados são de papel, que investem em recebíveis imobiliários e tendem a se beneficiar de taxas de juros elevadas.

“Se os juros se mantiverem altos por um período prolongado, os fundos imobiliários indexados ao CDI+ devem ter um desempenho superior”, comenta Otmar Schneider, analista da Nord Investimentos, sobre a necessidade de ajustes nas carteiras de FIIs após a queda do Ifix.

Detalhes dos fundos

A tabela a seguir apresenta alguns dos fundos com dividend yield acima do CDI:

– Ourinvest JPP (OUJP11): DY 12 meses de 19,72%, retorno total de +0,86%, variação da cota -16,58% – Life Capital Partners (LIFE11): DY 12 meses de 17,47%, retorno total de -2,90%, variação da cota -18,94% – Habitat Recebíveis Pulverizados (HABT11): DY 12 meses de 16,22%, retorno total de +2,55%, variação da cota -12,41%

Risco e rendimento

Vale ressaltar que o cálculo do DY é feito com base na cota de um ano atrás, o que significa que o rendimento para novos compradores pode ser ainda maior, dado que a maioria das cotas estão com preços mais baixos atualmente. Marcos Baroni, head de fundos imobiliários da Suno, relaciona a queda recente à alta dos juros futuros, sem necessariamente indicar uma deterioração nos fundamentos dos fundos.

Contudo, algumas quedas de cota foram acentuadas, como no caso do Hectare CE (HCTR11), que perdeu 47,5% em 12 meses. Mesmo com os rendimentos, os retornos totais desses fundos são negativos. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que a segurança dos rendimentos em fundos de papel depende da qualidade dos devedores, enfatizando que altos juros podem ser vantajosos para quem recebe, mas prejudiciais para quem deve.