Prefeito de Biguaçu decreta medidas preparatórias contra efeitos do El Niño

O prefeito de Biguaçu, Alexandre Martins de Souza (Podemos), assinou, na tarde desta quinta-feira (2), o Decreto 200/2026 que institui o estado de alerta climático no município de Biguaçu em razão das previsões meteorológicas associadas ao fenômeno El Niño. O texto cria o comitê municipal de gestão de crise climática, estabelece medidas preparatórias de proteção e defesa civil e dá outras providências. O prazo de vigência é de 180 dias, podendo ser prorrogado conforme a evolução das condições meteorológicas e dos parâmetros técnicos de monitoramento.

Durante o ato realizado no gabinete do prefeito municipal, na sede da prefeitura, Alexandre também disse que ordenou à Secretaria de Obras e Infraestrutura que amplie os serviços de limpeza de valas e drenagem pluvial, para facilitar o escoamento das águas das chuvas. Lembrou ainda que está em curso as tratativas para realizar o desassoreamento do Rio Biguaçu.

De acordo com Alexandre, as previsões meteorológicas e os boletins técnicos emitidos pelos órgãos oficiais de monitoramento climático indicam a atuação do El Niño e seus reflexos sobre o território municipal durante o segundo semestre de 2026 e com reflexos também em 2027.

O decreto assinado hoje considera que o fenômeno meteorológico potencializa a ocorrência de eventos climáticos extremos, tais como chuvas intensas, alagamentos, enxurradas, deslizamentos, vendavais e outros eventos hidrológicos capazes de comprometer a segurança da população e a infraestrutura pública.

Por isso, “o município entende a necessidade de adoção de medidas preventivas e de resposta rápida para minimizar riscos à vida, à saúde, ao patrimônio público e privado, ao meio ambiente e às atividades econômicas”, pontua o prefeito.

Alexandre ressalta os princípios da prevenção, da precaução e da proteção da população, bem como a necessidade de fortalecer a atuação integrada entre os órgãos municipais, estaduais e federais.

O decreto tem por finalidade, entre outras coisas:

  • intensificar as ações de prevenção, preparação, monitoramento e resposta aos eventos climáticos extremos;
  • promover a integração entre os órgãos da Administração Pública Municipal para atuação coordenada nas ações de proteção e defesa civil;
  • adotar medidas destinadas à proteção da população, da infraestrutura urbana, das áreas de risco e dos serviços públicos essenciais;
  • viabilizar a captação de recursos junto aos Governos Estadual e Federal, bem como a organismos públicos e privados, destinados às ações de prevenção, resposta e recuperação.

O decreto ainda institui o Comitê Municipal de Gestão de Crise Climática, que deverá: 

  • monitorar permanentemente as condições meteorológicas e hidrológicas;
  • elaborar e atualizar planos de contingência;
  • coordenar ações preventivas e de resposta em conjunto com as demais Secretarias Municipais;
  • emitir alertas e orientações à população sempre que necessário;

As Secretarias Municipais deverão adotar, sob o comando do prefeito municipal e por orientação do Comitê Municipal de Gestão de Crise Climática:

  • manutenção e desobstrução dos sistemas de drenagem;
  • fiscalização e monitoramento das áreas suscetíveis a alagamentos e movimentos de massa;
  • atendimento às populações vulneráveis;
  • proteção da infraestrutura pública essencial;
  • campanhas educativas e de orientação à população

O El Niño :

As projeções mais recentes indicam que o El Niño de 2026 já está estabelecido e deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre, com possibilidade de atingir intensidade forte ou até muito forte entre a primavera e o início do verão do Hemisfério Sul. Há elevada concordância entre os principais centros internacionais de previsão, embora a intensidade máxima ainda tenha alguma incerteza.

Para o Sul do Brasil, o histórico dos eventos fortes de El Niño e as previsões atuais apontam para um cenário que merece atenção.

O que se espera para o Sul do Brasil

1. Chuvas acima da média

Este é o efeito mais característico do El Niño na região Sul.

As previsões indicam maior probabilidade de:

  • episódios de chuva persistente;
  • temporais severos;
  • precipitações acumuladas muito acima da média;
  • aumento da frequência de eventos extremos.

O período de maior risco tende a ocorrer entre setembro e dezembro de 2026, quando o fenômeno normalmente exerce maior influência sobre o Sul do continente.

2. Maior risco de enchentes

Com o solo frequentemente saturado, aumenta a possibilidade de:

  • enchentes graduais;
  • enxurradas;
  • transbordamento de rios;
  • deslizamentos em áreas de encosta.

Essa preocupação é especialmente grande no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, que ainda recuperam infraestrutura afetada por eventos extremos recentes. Autoridades estaduais e municipais já vêm reforçando obras de proteção e planos de contingência diante da expectativa de um El Niño intenso.

3. Menor frequência de ondas intensas de frio

Em anos de El Niño normalmente ocorre:

  • inverno relativamente mais ameno;
  • menor número de massas polares muito intensas;
  • redução da frequência de geadas severas.

Isso não significa ausência de frio, mas uma tendência estatística de temperaturas médias mais elevadas.

4. Tempestades mais intensas

O aumento da disponibilidade de umidade favorece:

  • granizo;
  • vendavais;
  • rajadas de vento;
  • atividade elétrica intensa.

Municípios com histórico de temporais podem registrar maior número de ocorrências.

5. Impactos na agricultura

Podem ocorrer efeitos positivos e negativos.

Possíveis benefícios

  • melhor disponibilidade hídrica para culturas de inverno;
  • recuperação de reservatórios.

Possíveis prejuízos

  • excesso de chuva na época de plantio;
  • dificuldade para colheitas;
  • aumento de doenças fúngicas;
  • erosão do solo;
  • perdas em estradas rurais.

Santa Catarina

Para Santa Catarina, os principais riscos são:

  • cheias do Vale do Itajaí;
  • enchentes no Oeste;
  • alagamentos no Litoral;
  • movimentos de massa na Serra;
  • interrupções de rodovias e pontes.

Municípios cortados por grandes rios ou localizados em encostas costumam ser os mais vulneráveis.