Justiça afasta Marquinho do cargo de prefeito de Governador Celso Ramos

O prefeito de  Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), o “Marquinho”, foi afastado das funções na manhã desta terça-feira (7), por ordem judicial expedida na operação “Pão e Circo”, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e Polícia Civil para investigar supostas irregularidades na contratação de artistas para shows em festas de 18 municípios em Santa Catarina. 

A operação do Gaeco cumpriu mandados na Prefeitura de Governador Celso Ramos, na Câmara de Vereadores, na casa de Marquinho e na casa do vereador Pedro Augusto (Republicanos) na manhã de hoje. Com o afastamento de Marquinho, o município passará a ser conduzido pelo vice-prefeito Aldir Dourival Rosa (conhecido como “Di”), até o desfecho do caso na Justiça.

O afastamento é o desdobramento político mais duro da operação, que também prendeu o empresário José Clemir Spinelli, de 54 anos, dono de uma empresa de eventos e apontado como o articulador de um esquema de fraude em licitações na área de eventos.

Segundo a investigação, empresários do setor de eventos estruturaram e colocaram em prática um esquema de fraude nas licitações municipais para anular a concorrência nas contratações de shows. A manipulação de preços, conforme o Ministério Público, servia para dominar o mercado de grandes atrações e garantir a fatia mais gorda de um filão movimentado por artistas de renome nacional.

A operação apura a existência de um cartel formado por empresários do setor de eventos que, ao longo dos anos, estruturaram e colocaram em prática um esquema de fraude em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional. Além das fraudes, empresários e agentes públicos recorriam ao pagamento e ao recebimento de propina para viabilizar o esquema e à lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades. 

Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios – 18 catarinenses e um gaúcho – e um mandado de prisão preventiva contra empresário.

Em Santa Catarina, as diligências ocorreram em residências e órgãos públicos em: 

  • Abdon Batista, 
  • Apiúna, Aurora,
  • Bombinhas,
  • Brusque, 
  • Canoinhas,
  •  Governador Celso Ramos,
  • Indaial,
  • Itaiópolis,
  • Itapema,
  • Laurentino,
  • Mafra,
  • Palhoça,
  • Porto Belo,
  • Pouso Redondo,
  • Santa Terezinha,
  • São Bento do Sul,
  • Três Barras.

Também houve cumprimento de mandado em Porto Alegre. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), uma vez que a investigação envolve pessoas com foro por prerrogativa de função.