Haiti recebe 200 mil deportados à força em meio a crise e ONU alerta

Haiti recebeu quase 200 mil deportados à força, diz ONU

Nos primeiros oito meses de 2026, o Haiti recebeu quase 200 mil pessoas deportadas à força, conforme dados revelados durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O encontro ocorreu nesta sexta-feira (29/08), logo após um violento ataque de gangues na região de Porto Príncipe resultar na morte de 47 pessoas.

Impacto das deportações e o cenário de violência

O massacre no subúrbio de Kenscoff aconteceu poucos dias após a chegada do primeiro voo com deportados vindos dos Estados Unidos. A medida ocorreu depois que o governo de Donald Trump venceu uma disputa judicial que derrubou o Status de Proteção Temporária (TPS) concedido a milhares de haitianos.

Organizações de direitos humanos e ativistas alertam que o país caribenho atravessa um momento de extrema vulnerabilidade e desamparo estrutural. Indrika Ratwatte, subsecretária-geral interina da ONU para Assuntos Humanitários, destacou ao Conselho que o índice atual de insegurança é alarmante e que o Estado carece de condições básicas para absorver os repatriados. As remoções forçadas deste ano registraram um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Crise de deslocamento interno e origem dos deportados

O impacto humanitário atinge proporções dramáticas: cerca de 1,5 milhão de cidadãos estão deslocados internamente em um território habitado por aproximadamente 12 milhões de pessoas, sendo que metade dessa população afetada é composta por crianças.

Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que a grande maioria dos deportados, equivalente a 98%, retornou da vizinha República Dominicana. O restante dos cidadãos repatriados veio dos Estados Unidos, das Bahamas e das Ilhas Turcas e Caicos.

Apelo por força multinacional e controle de armas

Diante do colapso da segurança pública, o representante haitiano, Pierre Ericq Pierre, exigiu que a comunidade internacional acelere a implementação integral da Força Multinacional de Repressão às Gangues (GSF). A missão, autorizada pela ONU, planeja alcançar um efetivo de 5,5 mil agentes até o encerramento do ano para auxiliar a polícia e as Forças Armadas locais.

Por fim, autoridades locais e órgãos internacionais reforçaram a necessidade de cumprir rigorosamente o embargo de armas imposto pelo Conselho de Segurança da ONU desde 2022. O contínuo contrabando de armamentos e munições tem fortalecido facções criminosas, desafiando abertamente a soberania e a paz no país.