A eleição de 2026 marcou uma mudança significativa no cenário político de Santa Catarina: pela primeira vez em décadas, nenhum dos três integrantes da família Amin que construíram uma trajetória eleitoral própria — Esperidião Amin, Ângela Amin e João Amin — terá mandato eletivo a partir de 2027.
O resultado consolida uma sequência de derrotas eleitorais iniciada nos últimos anos e encerra, ao menos temporariamente, a presença direta da família nas principais casas legislativas e no Executivo catarinense.
Esperidião Amin, aos 78 anos, terminou a disputa pelo Senado em terceiro lugar. Com 1.232.832 votos, equivalentes a 15,31% dos votos válidos, ficou atrás de Carol de Toni (PL), eleita em primeiro lugar, e Carlos Bolsonaro (PL), segundo colocado.
A derrota tem peso simbólico pela dimensão da trajetória política de Esperidião. O catarinense iniciou sua carreira ainda durante o regime militar, quando foi nomeado prefeito de Florianópolis. Depois, tornou-se deputado federal, governador de Santa Catarina, novamente prefeito da Capital e senador.
Quase seis décadas de vida pública
Esperidião Amin construiu uma das carreiras mais longas da política catarinense. Foi prefeito de Florianópolis entre 1975 e 1978, deputado federal de 1979 a 1983, governador entre 1983 e 1987, novamente prefeito da Capital entre 1989 e 1990 e senador entre 1991 e 1998.
Também voltou ao governo de Santa Catarina entre 1999 e 2002 e passou novamente pela Câmara dos Deputados entre 2011 e 2019. Em 2014, foi reeleito deputado federal com 229.668 votos.
Em 2018, retornou ao Senado. Naquele ano, foi o candidato mais votado para a Casa em Santa Catarina, com 1.226.064 votos, correspondentes a 18,77% dos votos.
O mandato iniciado em 2019, entretanto, será o último de Esperidião Amin no Senado. A derrota de 2026 encerra sua segunda passagem pela Casa, que havia começado em 1991.
Ângela Amin também fica sem mandato
O mesmo processo atingiu sua esposa, Ângela Amin.
A ex-prefeita de Florianópolis e ex-deputada federal tentou novamente uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, mas não conseguiu se eleger. A votação ficou em aproximadamente 35,2 mil votos, e ela terminou como segunda suplente da Federação União Progressista.
A derrota não é isolada. Ângela já havia ficado fora da Câmara em 2022, quando recebeu 38.428 votos e não conseguiu renovar o mandato.
Quatro anos antes, em 2018, ela havia sido eleita deputada federal com 86.189 votos, retornando à Câmara depois de uma longa trajetória na política catarinense.
Da Prefeitura à Câmara Federal
Ângela Amin entrou na política nos anos 1980. Foi vereadora de Florianópolis, deputada federal e prefeita da Capital por duas vezes.
Em 1990, foi eleita deputada federal com 129.011 votos. Em 1996, tornou-se a primeira mulher eleita prefeita de Florianópolis, sendo reeleita em 2000, no primeiro turno, com 57% dos votos válidos.
Também disputou o governo de Santa Catarina em 2010, quando recebeu 857.698 votos e terminou na segunda colocação.
Na eleição de 2016, voltou a disputar a Prefeitura de Florianópolis e chegou ao segundo turno, mas acabou derrotada por uma diferença de apenas 0,5% para o prefeito eleito.
O capítulo seguinte foi mais difícil.
A derrota de 2020 em Florianópolis
Em 2020, Ângela Amin voltou a disputar a Prefeitura de Florianópolis, desta vez tendo João Batista Nunes como candidato a vice.
A candidatura, entretanto, não chegou ao segundo turno. Ângela recebeu 17.515 votos e terminou em quarto lugar na disputa.
O resultado contrastou com o período em que a família Amin comandou a Capital e com a própria trajetória de Ângela, que havia sido prefeita por dois mandatos.
João Amin: a terceira geração que não conseguiu manter a cadeira
O terceiro integrante da família a perder espaço eleitoral foi João Amin, filho de Esperidião e Ângela.
João iniciou sua carreira institucional como vereador de Florianópolis, eleito em 2008. Em 2012, foi eleito vice-prefeito da Capital. Depois, migrou para a Assembleia Legislativa, onde conquistou duas eleições consecutivas.
Em 2014, foi eleito deputado estadual com 34.666 votos. Em 2018, conseguiu a reeleição, com 31.396 votos.
Na eleição de 2022, porém, João recebeu 19.154 votos e não conseguiu renovar o mandato na Assembleia Legislativa. Ficou como suplente.
Com isso, a família passou a ficar sem representação eletiva própria.
Uma sequência que ganhou força em 2022
A eleição de 2022 já havia sido particularmente negativa para os Amin.
Naquele ano, Esperidião Amin perdeu a disputa pelo governo de Santa Catarina, terminando a eleição com 398.092 votos. Ao mesmo tempo, Ângela não conseguiu renovar o mandato de deputada federal e João ficou fora da Assembleia.
Foi, portanto, uma derrota tripla: pai, mãe e filho ficaram sem conquistar novos mandatos naquela eleição.
Em 2026, o quadro se completou.
Esperidião tentou permanecer no Senado, mas terminou em terceiro. Ângela voltou a disputar uma vaga na Câmara e novamente não conseguiu se eleger. João, por sua vez, não retornou às urnas para tentar recuperar a cadeira na Assembleia.
O fim de uma era?
O sobrenome Amin esteve associado ao poder catarinense por quase meio século.
Esperidião ocupou a Prefeitura de Florianópolis, o Governo do Estado, a Câmara dos Deputados e o Senado. Ângela também comandou a Capital e construiu uma trajetória de vários mandatos na Câmara Federal. João representou a terceira geração da família, chegando à Câmara Municipal, à vice-prefeitura e à Assembleia Legislativa.
O resultado de 2026, portanto, não apaga essa trajetória, mas interrompe a presença institucional da família nos mandatos eletivos.
A partir de 2027, nenhum dos três estará ocupando cadeira na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa, no Governo do Estado, na Prefeitura de Florianópolis ou no Senado.
É uma mudança relevante para a política catarinense: um grupo familiar que durante décadas esteve presente em diferentes níveis de poder deixa, pelo menos por enquanto, de ter representantes eleitos diretamente pelo voto popular.
O futuro político dos Amin, entretanto, dependerá de novos movimentos, candidaturas e decisões partidárias. O que a eleição de 2026 deixa definido é o encerramento de um ciclo de mandatos que atravessou diferentes gerações da família e diferentes períodos da história política de Santa Catarina.

