O fenômeno El Niño continua a se intensificar, com a anomalia térmica do oceano Pacífico atingindo 1,8 °C, conforme informações da NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos. Embora essa intensidade não signifique necessariamente um aumento de eventos extremos, a situação demanda atenção. A Defesa Civil de Santa Catarina mantém vigilância constante sobre a evolução do fenômeno e os possíveis efeitos no estado.
Monitoramento do fenômeno
A análise do El Niño é realizada em quatro áreas do Pacífico Equatorial: Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4. A região 3.4 é onde a observação se concentra para determinar a intensidade do fenômeno. O El Niño é caracterizado quando a temperatura da superfície do mar nessa área permanece pelo menos 0,5 °C acima da média climatológica por vários meses consecutivos.
Classificação da intensidade
A intensidade do El Niño é classificada em uma escala que deve persistir por, no mínimo, três meses. Um El Niño fraco apresenta anomalias de 0,5 °C a 0,9 °C, enquanto um moderado varia entre 1,0 °C e 1,4 °C. Quando a anomalia está entre 1,5 °C e 1,9 °C, o fenômeno é considerado forte, e acima de 2,0 °C, muito forte.
Frederico de Moraes Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, ressalta que a intensidade do El Niño não implica automaticamente em desastres. Em 2023, por exemplo, enchentes no Vale do Itajaí ocorreram com um El Niño moderado, enquanto em 2015, um dos eventos mais intensos não teve relação com um fenômeno tão forte. Rudorff também destaca que desastres podem acontecer com o fenômeno oposto, La Niña, citando eventos severos em anos anteriores.
Comparações entre anos
A comparação da intensidade de eventos em anos diferentes é complexa. De acordo com a NOAA, um índice relativo é utilizado para calcular a média de temperatura dos oceanos nos trópicos, ajustando para uma análise mais justa. Historicamente, o El Niño tende a aumentar as chuvas em Santa Catarina nas estações de transição, com a Defesa Civil prevendo a primavera de 2026 e o outono de 2027 como períodos críticos.
Frederico de Moraes Rudorff detalha as diferenças entre um El Niño forte e um moderado, explicando que a previsão de um evento severo depende da combinação de diversos fatores climáticos. Apesar do aumento na frequência de chuvas, a ocorrência de desastres não é garantida, exigindo monitoramento contínuo.
Recomendações à população
A interação de diversos fatores climáticos com a umidade disponível pode intensificar fenômenos severos, como microexplosões e tornados, mas isso não assegura a ocorrência de eventos extremos. O gerente recomenda que a população conheça suas áreas de risco e se cadastre para receber alertas da Defesa Civil, enviando um SMS com o CEP para o número 40199.
Medidas de segurança em casos de temporais incluem buscar abrigo seguro, evitar áreas alagadas e permanecer atenta a sinais de deslizamentos. Em situações de emergência, é essencial contatar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A Defesa Civil de Santa Catarina continua a monitorar a situação e está preparada para agir em caso de evolução do fenômeno, reforçando a importância da conscientização e da preparação da população.
