Dívida pública atinge 82,9% do PIB; déficit primário é de R$ 5,5 bilhões

Em setembro, o setor público consolidado, que inclui União, estados, municípios e estatais, apresentou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões. A dívida bruta se manteve em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), totalizando R$ 11,1 trilhões.

Desempenho das contas públicas

Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) e mostram um desempenho diferente entre as esferas de governo e as estatais. O Governo Central registrou um superávit de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios acumularam um déficit de R$ 5,6 bilhões, e as empresas estatais apresentaram um déficit de R$ 3,4 bilhões.

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Comparação com anos anteriores

O resultado negativo consolidado ficou em R$ 5,497 bilhões, melhor do que o déficit de R$ 10 bilhões em agosto e também inferior aos R$ 17,5 bilhões do mesmo mês no ano passado. No entanto, o déficit primário acumulado entre janeiro e setembro de 2026 atingiu R$ 94,3 bilhões, correspondendo a 0,93% do PIB, em comparação com R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB) no mesmo período de 2025.

Divergências nas estatísticas

O Tesouro Nacional reportou um superávit primário de R$ 4,8 bilhões para o Governo Central em setembro, e essa diferença em relação aos dados do Banco Central se deve à metodologia distinta utilizada por cada um.

Situação da dívida pública

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 11,1 trilhões em setembro, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, mas com um aumento de 4,3 pontos percentuais em 2026. Os fatores que influenciaram essa situação foram os juros nominais, que elevaram a dívida em 0,8 ponto percentual do PIB, e resgates líquidos de dívida, que reduziram o indicador em 0,4 ponto percentual.

Impacto dos juros sobre o déficit

As despesas com juros nominais do setor público totalizaram R$ 107,5 bilhões em setembro, um aumento em relação aos R$ 84,7 bilhões do mesmo mês em 2025. Esse crescimento foi impulsionado por operações de swap cambial e pelo aumento do estoque da dívida.

Análise anual

Nos últimos 12 meses até setembro, os gastos com juros chegaram a R$ 1,205 trilhão, o que representa 8,99% do PIB, em comparação com R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB) no mesmo período do ano anterior. O déficit nominal do setor público consolidado foi de R$ 113 bilhões em setembro, totalizando R$ 1,275 trilhão (9,51% do PIB) nos 12 meses.

Dívida líquida e contexto fiscal

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,4 trilhões em setembro, equivalente a 70% do PIB, um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a agosto. Apesar do déficit acumulado no ano, houve uma melhora na comparação dos últimos 12 meses, com um déficit primário de R$ 70,1 bilhões (0,52% do PIB).

A situação fiscal do país continua desafiadora, com o aumento da dívida pública e os custos elevados com juros impactando o orçamento e a capacidade de investimento do governo.