Cunha usa impeachment de Dilma como credencial para voltar à política

O ex-deputado federal Eduardo Cunha transformou o processo de impeachment de Dilma Rousseff no principal pilar de sua tentativa de retorno à vida pública. Uma década após a queda da ex-presidente petista, ele passou a reivindicar publicamente a autoria exclusiva do afastamento, tratando o episódio como o marco zero para a consolidação da direita e a posterior eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

A relação com o bolsonarismo e a aproximação de Flávio Bolsonaro

A estratégia de reabilitação política ganhou força com a aproximação de Flávio Bolsonaro. Os dois políticos se encontraram em Belo Horizonte e passaram a atuar juntos em eventos públicos, consolidando uma narrativa compartilhada sobre 2016. Durante um ato de campanha, o senador endossou o papel histórico de Cunha na derrubada de Dilma, fortalecendo a imagem do ex-presidente da Câmara perante o eleitorado conservador.

Candidatura em Minas Gerais e os obstáculos na Justiça

Para viabilizar seu retorno ao Congresso, Cunha transferiu seu domicílio eleitoral e concorre a uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. No entanto, o registro enfrenta forte resistência do Ministério Público Eleitoral, que aponta uma condenação por improbidade administrativa como fator de inelegibilidade até 2027. O caso segue sob análise da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.

Além do desafio eleitoral, o ex-parlamentar também enfrenta investigações da Polícia Federal relacionadas à destinação de emendas parlamentares para municípios mineiros, processo que resultou no bloqueio de bens determinado pelo ministro Flávio Dino. A defesa nega veementemente qualquer irregularidade na formalização das verbas.