Criciúma: Vizinhos relatam rotina de casal preso após mortes de bebês

Na manhã de segunda-feira (31), Mauricio Ricardo de Lima Junior e Jessica Réus Fernandes, ambos de 22 anos e naturais de Criciúma, foram detidos após levarem seu filho de cinco meses, já sem vida, à UPA do bairro Rio Maina. A Justiça determinou, na terça-feira (1º), a prisão temporária do casal por 30 dias.

Condições precárias na residência

Vídeos compartilhados por vizinhos mostram o estado do imóvel onde o casal morava com os filhos. As imagens revelam um berço encostado a uma cama de casal sem lençol, roupas amontoadas e lixo espalhado pelo chão. Um gato filhote circula entre os entulhos, e o banheiro apresenta um vaso sanitário sem tampa, com papel higiênico jogado no piso. Moradores afirmam ter ouvido o choro dos bebês frequentemente durante a madrugada.

Relatos de vizinhos

Um dos vizinhos, em um áudio, descreve a rotina do casal, mencionando os choros do menino durante a noite. Ele recorda o momento em que o choro parou: “Ele cessou, ele ficou quieto”. Outro morador expressou sua preocupação, sugerindo que a criança poderia ter sido morta. Além disso, os relatos indicam que as autoridades já tinham conhecimento da situação da família, com denúncias anteriores ao Conselho Tutelar que não resultaram em ações efetivas.

Investigação em andamento

O Conselho Tutelar informou à Polícia Militar que só tomou conhecimento da primeira morte ao investigar a situação na UPA. Até o momento, não houve manifestação do órgão sobre as denúncias feitas anteriormente. A situação é alarmante, já que a morte do bebê de cinco meses e a possível negligência da família estão sendo investigadas sob a Lei Henry Borel, com o caso em mãos da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI) de Criciúma.

Circunstâncias das mortes

A médica que atendeu o bebê de cinco meses constatou sinais de rigidez corporal, indicando que a morte ocorreu horas antes. Os relatos do casal sobre as circunstâncias do óbito não coincidem. Enquanto Jessica alegou ter amamentado o filho e que ele se engasgou, Mauricio afirmou que encontrou o filho sem vida após voltar do trabalho. Durante a revista, a polícia encontrou maconha e R$ 2.999 com Mauricio, resultando em prisões por abandono de incapaz.

Prisão e futuro da investigação

O menino de quatro anos, que sobreviveu, está em uma família acolhedora. O resultado da necropsia do bebê de cinco meses será crucial para determinar se a morte será considerada homicídio e se há relação com violência sexual. O casal permanece detido, e a Justiça decidirá se a prisão temporária será prorrogada ou convertida em preventiva após o período de 30 dias. Nenhum deles foi condenado até o momento.