Crianças que furtaram carro dizem que aprenderam a dirigir em videogame

Três menores de idade furtaram um carro zero-quilômetro e saíram dirigindo em alta velocidade pelas ruas de Florianópolis, no domingo (6). Segundo as polícias Militar e Civil, o adolescente de 12 anos, que teria conduzido o veículo, afirmou que aprendeu a dirigir por meio de videogames.

Além do adolescente, de 12 anos, participaram da ação duas crianças, de 10 e 11 anos. Aos policiais, o grupo disse que agiu por aventura e não tinha intenção de obter dinheiro ou qualquer outro tipo de vantagem com o furto.

O veículo, um Omoda 5 automático, foi encontrado com a chave reserva dentro. Conforme o relato policial, os três estavam caminhando nas proximidades de um viaduto, na região continental da capital, quando perceberam a oportunidade, entraram no carro e fugiram.

Durante o trajeto, o veículo circulou por diferentes ruas em alta velocidade. No bairro Estreito, chegou a atingir uma motocicleta que estava estacionada. Mesmo após a colisão, o adolescente continuou dirigindo.

Pessoas que presenciaram a situação, incluindo motoboys, passaram a acompanhar o automóvel até que ele finalmente parou. Apesar da batida, ninguém ficou ferido. A Polícia Militar foi acionada e encaminhou os menores e o veículo para a delegacia. Posteriormente, os pais foram chamados e buscaram os filhos na Central de Plantão Policial.

Videogame teria ensinado comandos do carro

A Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle) pontua que a polícia recebeu a informação de que os menores teriam aprendido alguns conceitos de condução por meio de jogos eletrônicos.

Entre os conhecimentos mencionados está a utilização do câmbio automático, incluindo a seleção da posição D (Drive), utilizada para colocar o veículo em movimento.

Como o Omoda 5 possui transmissão automática, não é necessário realizar manualmente as trocas de marcha nem utilizar pedal de embreagem.

Situação dos menores

De acordo com a Polícia Civil, o tratamento dado ao caso é diferente para o adolescente e para as duas crianças, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Por ter 12 anos, o adolescente pode ser submetido à apuração de ato infracional e, eventualmente, receber uma medida socioeducativa. Já as crianças de 10 e 11 anos estão sujeitas às medidas de proteção que competem ao Conselho Tutelar.

A Polícia Civil informou ainda que, até o momento, não havia indícios de responsabilidade dos pais ou responsáveis. Uma eventual investigação sobre negligência ou falha na supervisão é atribuição do Conselho Tutelar e do Ministério Público.