Conflitos ocorreram em Paris e em diversas cidades da França após manifestações em todo o país, geradas pela insatisfação com o alto custo de vida e a precariedade dos serviços públicos. As autoridades mobilizaram um grande efetivo de segurança para evitar a repetição dos distúrbios que ocorreram há duas semanas.
Protestos em clima de tensão
Os protestos, que coincidiram com o dia das bruxas, foram em sua maioria pacíficos durante a tarde, mas surgiram tensões no final das marchas. Os distúrbios de 17 de outubro, que surpreenderam as forças de segurança, resultaram em danos significativos a lojas e prédios públicos em várias localidades. A polícia de choque foi acionada para dispersar pequenos grupos de agitadores em Paris, e gás lacrimogêneo foi utilizado em Lyon e Toulouse. Em Marselha, também ocorreram tensões durante protestos não autorizados.
Mobilização da Geração Z
As manifestações na França inspiraram ações semelhantes em outras partes da Europa, com jovens da “Geração Z” promovendo protestos em cidades da Alemanha e também na Itália. Os atos reuniram estudantes, sindicatos e um número menor de manifestantes dos Coletes Amarelos, todos unidos contra o aumento do custo de vida, os altos preços dos combustíveis e a inflação, assim como a administração do presidente Emmanuel Macron.
Um dos manifestantes, Jérôme Rodriguez, expressou seu descontentamento afirmando que a economia francesa enfrenta dificuldades sob um governo que considera incompetente. O líder da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, participou ativamente das manifestações em Paris, onde sua popularidade tem crescido próximo das eleições presidenciais.
Restrições e segurança
O Supremo Tribunal Administrativo da França manteve a proibição de uma marcha entre as praças da Nação e da Bastilha em Paris, resultando em um trajeto alternativo autorizado pelas autoridades. O número de manifestantes foi inferior ao de protestos anteriores, totalizando 320 mil em todo o país, com 70 mil em Paris, conforme informou o Ministério do Interior.
O ministério também destacou que “elementos radicais” tentaram se desviar das marchas em cidades como Bordeaux e Marselha, mas foram impedidos pela polícia. Além disso, verificações de segurança nas estações de trem e rodovias revelaram a presença de pessoas portando objetos que poderiam ser usados como armas.
Preocupações com a segurança
As autoridades alertaram sobre o uso de máscaras de Halloween, que poderiam servir para ocultar a identidade de indivíduos envolvidos em distúrbios. O ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que medidas seriam tomadas para evitar a repetição da violência ocorrida em 17 de outubro.
A situação se complica para o governo, que recebeu uma avaliação negativa da Fitch em relação à dívida pública, que se aproxima de 120% do PIB. Com a pressão crescente para controlar os gastos, a capacidade do governo de agir está limitada.
Contexto dos protestos
Os protestos ganharam força no final de setembro, quando o governo de Macron iniciou negociações sobre o orçamento de 2027. Os estudantes, insatisfeitos com as condições escolares, contaram com o apoio de sindicatos e dos Coletes Amarelos, que reivindicam ações contra o custo de vida. Apesar das promessas do governo de reformas, o descontentamento persiste.
Um estudante de 15 anos, Aaron Berthier, destacou a importância de se lutar por melhores condições para a juventude, enfatizando que a falta de recursos pode levar ao colapso do país. Os distúrbios impactaram negativamente a economia, com perdas para o varejo estimadas em mais de 1 bilhão de euros, afetando lojas de marcas renomadas.
A situação atual reflete um momento delicado para a França, com as luzes de Natal brilhando em meio a vitrines fechadas e a expectativa de novos protestos.

