A relação entre o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), e a Câmara de Vereadores vive uma tensão crescente. Em sessão para aprovação da LDO, o tema que incendiou os ânimos é a execução das emendas parlamentares, consideradas pelos vereadores como fundamentais para atender demandas comunitárias e também reforçar a presença política em seus redutos eleitorais.
O presidente João Cobalchini (MDB) não poupou críticas. Ele afirmou que o Executivo tem criado “uma série de obstáculos” que inviabilizam o pagamento das emendas. Foi além: disse que há indícios de que as emendas estariam sendo usadas como “barganha política”. A fala ecoou no plenário e evidenciou a desconfiança instalada entre os poderes.
Cobra respeito
O vereador Claudinei Marques (Republicanos) também foi duro em relação às emendas. Criticou a obrigatoriedade de destinar 40% das emendas à saúde, chamando de “absurdo” e “mixaria” o valor total de R$ 1 milhão por vereador. Para ele, a gestão Topázio Neto (PSD) não valoriza os vereadores e ignora propostas importantes, como a revitalização da Avenida das Rendeiras.
“Somos o elo entre a população e a prefeitura, mas somos tratados com desprezo”, disparou. Por sua vez, Renato da Farmácia (PSDB) misturou indignação com apelo à unidade. Em um discurso inflamado, disse que as emendas deveriam ter impacto político e que não faz sentido a forma como estão sendo tratadas. Em outra intervenção, foi ainda mais direto: “Vou trabalhar, vou brigar, não interessa se o Executivo está gostando ou não. Nós temos que defender a Casa e, principalmente, a quem representamos”, afirmou.
Proposta enfraquece Topázio
Enquanto o clima esquentava na Câmara de Florianópolis, Rafael Lima (PSD) apresentou proposta para que a Câmara adote as mesmas regras da Assembleia Legislativa e do Congresso: 1,55% da receita corrente líquida para emendas impositivas e prazo de 30 dias para remanejamento, caso haja entrave jurídico. Ele ainda defendeu que os editais para repasse às entidades fiquem abertos até outubro, garantindo mais acesso às organizações sociais.
As falas escancararam um desgaste que vem se acumulando. O Executivo é acusado de reter, atrasar e até usar as emendas como instrumento de controle político. Do outro lado, os vereadores reclamam de falta de diálogo e prometem endurecer o jogo. O grande problema é que o prefeito Topázio Neto (PSD) vem sendo satirizado nos bastidores por nem ficar na cidade para cuidar e resolver estes problemas. Estaria mais preocupado com a próxima eleição e em ajudar o governador Jorginho Mello (PL).




