BR-101 na Grande Florianópolis tem os piores índices de acidentes do Brasil

O trecho da BR-101 que liga Biguaçu, São José e Palhoça segue entre os mais perigosos do Brasil. Levantamento divulgado pelo Observatório Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina), com base em dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), revela que a região concentrou alguns dos maiores índices de acidentes registrados em rodovias federais pavimentadas ao longo de 2025.

O segmento entre os quilômetros 200 e 210, em São José, foi apontado como o mais crítico do país, com 575 acidentes e dez mortes ao longo do ano. Logo na sequência aparece o trecho entre os quilômetros 210 e 220, de São José a Palhoça, que contabilizou 341 acidentes. Já o trecho entre os quilômetros 190 e 200, em Biguaçu, registrou 261 acidentes e oito mortes, figurando também entre os dez mais perigosos do Brasil.

Os dados refletem um cenário preocupante em todo o estado. Santa Catarina liderou o ranking nacional de acidentes em rodovias federais pavimentadas em 2025, com 8.186 ocorrências. O índice corresponde a cerca de 340 acidentes a cada 100 quilômetros de rodovia, mais de três vezes superior à média brasileira, de 108 acidentes no mesmo trecho.

Além do elevado número de ocorrências, os impactos econômicos também chamam a atenção. Segundo o levantamento, os acidentes provocaram prejuízos superiores a R$ 3 bilhões, considerando custos hospitalares, danos materiais, perda de produtividade e os transtornos causados pelas interrupções no trânsito.

O estado também apresentou índices de vítimas muito acima da média nacional. Foram registrados 390 feridos a cada 100 quilômetros de rodovia federal, enquanto a média brasileira ficou em 125. Já o número de mortes chegou a 434 em 2025, o equivalente a 18 óbitos a cada 100 quilômetros, o dobro da média nacional.

A BR-101 concentrou a maior parte das ocorrências em Santa Catarina, somando 2.053 acidentes e 66 mortes ao longo do ano. Para a Fetrancesc, os números evidenciam a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, manutenção, duplicações e ações voltadas ao aumento da segurança viária, especialmente na Grande Florianópolis, onde o intenso fluxo de veículos torna o risco ainda maior.

Apesar do cenário registrado em 2025, os primeiros indicadores de 2026 mostram uma tendência de melhora. Entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizados 3.538 acidentes nas rodovias federais catarinenses, com 166 mortes e 938 feridos graves. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve redução superior a 20% tanto no número de acidentes quanto no total de vítimas.