A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras acendeu o alerta no setor produtivo de Santa Catarina. O estado, que mantém forte relação comercial com o mercado norte-americano, pode sofrer impactos significativos em segmentos como madeira, móveis, máquinas, autopeças, papel, produtos metalúrgicos e alimentos industrializados.
Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos das exportações catarinenses. Com a nova taxação, os produtos brasileiros passam a chegar mais caros ao mercado norte-americano, reduzindo a competitividade frente a concorrentes de outros países que não foram atingidos pela medida.
Na avaliação de representantes do setor industrial, o aumento das tarifas pode provocar queda nas vendas externas, redução da produção e até impactos sobre o nível de emprego em empresas fortemente dependentes das exportações.
Indústria catarinense pode sentir os primeiros efeitos
Entre os segmentos mais expostos estão as indústrias de madeira e produtos florestais do Planalto Norte, o setor moveleiro do Oeste e do Norte do estado, fabricantes de motores elétricos, autopeças e máquinas instalados em Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau e região, além da cadeia de alimentos processados.
Empresas que destinam parcela significativa de sua produção aos Estados Unidos poderão enfrentar dificuldades para manter contratos ou disputar novos mercados, já que a tarifa tende a elevar o preço final dos produtos brasileiros.
Especialistas apontam que algumas empresas poderão buscar novos destinos para suas exportações, mas alertam que essa mudança costuma exigir tempo, adaptação comercial e negociações com novos compradores.
Economia catarinense pode perder competitividade
Santa Catarina é um dos estados brasileiros com maior participação da indústria na economia e também um dos maiores exportadores do país em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Caso a tarifa permaneça em vigor por um período prolongado, economistas avaliam que poderá haver desaceleração da produção industrial, diminuição das receitas de exportação e reflexos indiretos sobre transportadoras, portos, fornecedores de matéria-prima e empresas prestadoras de serviços.
Os portos catarinenses, como Itajaí, Navegantes, Itapoá, São Francisco do Sul e Imbituba, também podem registrar redução no volume de cargas destinadas ao mercado norte-americano caso as exportações diminuam.
Entidades defendem negociação diplomática
Representantes da indústria e do comércio exterior defendem que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas para tentar reverter ou reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A expectativa do setor produtivo é que uma solução negociada preserve a competitividade das empresas brasileiras e evite perdas econômicas em estados altamente exportadores como Santa Catarina.
Enquanto isso, empresários acompanham o cenário com cautela e estudam estratégias para minimizar os impactos, como diversificação de mercados internacionais, ampliação das vendas internas e busca por novos parceiros comerciais.




