Um levantamento recente apontou que 13 mil ataques direcionados a candidaturas LGBTs foram registrados nas redes sociais durante as eleições deste ano. A análise foi realizada pela plataforma Sentinela, do Instituto Plena Cidadania, que também identificou indícios de uso de recursos públicos em ações consideradas crimes eleitorais.
Ataques a mulheres e candidatos negros
Os dados revelam que 92,7% das agressões foram direcionadas a candidaturas femininas, enquanto 83,6% visaram candidatos negros. As investigações mostram que os ataques se concentram em quatro candidaturas a deputadas federais: Erika Hilton (Psol-SP), que sozinha responde por cerca de dois terços dos casos, e Duda Salabert (Psol-MG), Benny Briolly (PT-RJ) e Thabatta Pimenta (PV-RN), que juntos representam 83% do total de ataques analisados.
Candidaturas de partidos envolvidos
A plataforma também apontou que candidatos de três partidos, Novo, PSDB e PL, foram identificados como autores de comentários classificados como ataques transfóbicos. Segundo a análise, há indícios de uma atuação coordenada entre os agressores, com a possível utilização de recursos públicos para esses ataques.
Um caso notável ocorreu contra o vereador Fabrício Rosa (PT-GO), em que 63 contas diferentes replicaram a mesma mensagem em um intervalo de apenas três minutos. “A combinação de texto idêntico, múltiplas contas e um curto intervalo é um forte sinal de comportamento coordenado, demandando investigação adicional”, enfatizou a plataforma.
Responsabilidade pelo uso de recursos públicos
Gui Mohallem, membro da direção executiva do Instituto Plena Cidadania, levantou preocupações sobre a responsabilidade associada ao uso de recursos públicos no contexto eleitoral. “No Brasil, a LGBTfobia é crime e o financiamento de campanha é público. Em nossa visão, recursos públicos não deveriam ser usados para financiar crimes”, comentou.
No dia 23 de setembro, o Instituto protocolou uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra três candidatos a deputado federal que realizaram ataques discriminatórios contra Erika Hilton e Duda Salabert, buscando desqualificá-las por meio de ataques à sua identidade de gênero.
