O futuro do transporte coletivo de São José ganhou novas contribuições antes mesmo de sair do papel. Encerrada no sábado (19), a consulta pública on-line promovida pela Prefeitura reuniu 234 manifestações de moradores, usuários do sistema e demais interessados, entre sugestões, críticas, questionamentos e propostas para melhorar a mobilidade urbana do município.
Agora, começa uma nova etapa: transformar a participação da população em subsídios para aperfeiçoar o modelo que poderá orientar a futura concessão do transporte coletivo. A secretária de Segurança, Defesa Social e Trânsito, Andréa Luiza Grando, explica que os técnicos da pasta vão analisar o conjunto das contribuições e verificar de que forma as manifestações podem interferir ou aprimorar os estudos desenvolvidos pela Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese), com apoio técnico do LabTrans/UFSC.
“A opinião da população é peça-chave para construirmos um sistema mais eficiente, moderno e que atenda de fato às necessidades de São José”, destaca Andréa. Depois dessa análise, a Prefeitura deverá promover uma segunda rodada de divulgação, que poderá ocorrer por meio de uma audiência pública ou de uma nova consulta on-line. A meta é apresentar os documentos revisados e as minutas consolidadas.
De sete para até 17 linhas
Entre as principais mudanças em análise está a possibilidade de uma ampliação significativa da rede municipal. O sistema, que atualmente possui três empresas operadoras (Biguaçu, Estrela e Santa Terezinha), sete linhas e 20 ônibus, poderá chegar a até 17 linhas e 30 veículos na modelagem preliminar.
Se confirmado, o número de linhas representará um crescimento de aproximadamente 143%, com a perspectiva de ampliar a cobertura territorial e oferecer novos itinerários aos passageiros. A proposta ainda está em construção e poderá sofrer alterações após a análise das contribuições recebidas.
Entre as alternativas estudadas estão a implantação de linhas expressas e circulares, além de pontos de integração em regiões estratégicas. O modelo contempla, por exemplo, as linhas 551 e 552 – Circular Potecas–Kobrasol e 661 e 662 – Circular Forquilhas–Kobrasol, com operações nos sentidos horário e anti-horário.
Os estudos também analisam alternativas de circulação pela Avenida Presidente Kennedy e pela Beira-Mar de São José, além da possibilidade de criação de pontos de integração temporal. Nesse modelo, o passageiro poderá realizar conexões entre diferentes linhas dentro de um determinado período, ampliando as possibilidades de deslocamento pela cidade.
Um sistema desenhado a partir dos dados
Por trás das propostas está um amplo levantamento da realidade do transporte e dos deslocamentos dos moradores de São José. Os estudos elaborados pela Fepese, com apoio técnico do LabTrans/UFSC, tiveram como base uma coleta de dados realizada em junho e julho de 2025. Entre os levantamentos está a Pesquisa Origem e Destino, que ouviu 902 moradores em seus domicílios, além da Pesquisa de Embarque e Desembarque, realizada diretamente nos ônibus.
O material disponibilizado para consulta pública reúne seis produtos técnicos, incluindo relatórios de planejamento das pesquisas, diagnóstico do sistema, estruturação do modelo para a futura licitação, estudo econômico-financeiro e termo de referência para o futuro edital.
A ideia é que as decisões sobre o próximo modelo não sejam tomadas apenas a partir de projeções, mas também da observação de como os moradores efetivamente se deslocam pela cidade.
Uma cidade que mudou — e continua crescendo
O transporte coletivo municipal atende atualmente cerca de 150 mil usuários por mês, com operação das 5h30 às 22h30. Para a Administração Municipal, a expansão urbana e o crescimento populacional dos últimos anos reforçam a necessidade de atualizar o sistema, cuja última atualização formal ocorreu em 2008.
A futura modelagem busca, portanto, responder a uma cidade diferente daquela de quase duas décadas atrás, com novos bairros, novos polos de atividade e novas necessidades de deslocamento. Além das mudanças internas, São José participa das discussões sobre integração metropolitana, buscando alternativas conjuntas para melhorar a conexão do transporte coletivo entre os municípios da Grande Florianópolis.
