Queda dos juros no Brasil pode impulsionar Eneva em até 80%

A companhia Eneva (ENEV3) se destaca como uma das principais apostas da Acuto Capital, com potencial de valorização de até 80% devido a uma possível queda nas taxas de juros no Brasil. O fundador da gestora, Marcus Fadul, compartilhou suas análises durante uma entrevista no podcast Stock Pickers, do Infomoney.

Impacto da mudança nas taxas de juros

Fadul enfatizou que a valorização das ações da Eneva está diretamente ligada à velocidade com que os juros caem e aos cenários eleitorais previstos. Ele afirmou: “Se houver uma alternância de poder e de fato essa equação de compressão de custo de capital acontecer, vemos de 70% a 80% de upside”.

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Dependência do financiamento

A Eneva é um dos principais ativos da carteira da Acuto Capital, em razão de seus projetos futuros e da capacidade de produção adquirida em leilão de reserva em março. Contudo, a necessidade de financiamento para suas obras torna a empresa vulnerável às taxas de juros de mercado, afetando seus lucros e alavancagem.

Fadul explicou que a alteração de 300 pontos-base nas taxas de financiamento poderia mudar drasticamente a trajetória de lucro da empresa. Se a Eneva precisar financiar a taxas que variem entre 10% e 14%, isso impactará diretamente seu resultado financeiro.

Condições externas e internas

A dinâmica dos juros internacionais e a situação das contas públicas brasileiras também têm influência significativa sobre o fluxo de capital no país. Fadul observou que, enquanto o Banco Central do Brasil reduz os juros, o Federal Reserve dos EUA mantém uma postura mais rígida, com a taxa dos títulos públicos americanos a 5,25%. No Brasil, os títulos com vencimento em 10 anos oferecem uma taxa superior a 14%, resultando em uma diferença de quase nove pontos percentuais.

Fatores que podem amenizar a dívida

A saúde fiscal do governo brasileiro é considerada crucial para a redução das taxas de juros. Fadul acredita que a aprovação de um plano de controle de gastos poderá começar a diminuir a dívida do país a partir de 2027 ou 2028, potencialmente reduzindo a diferença entre os juros brasileiros e americanos para cerca de cinco pontos percentuais.

Oportunidades no mercado brasileiro

Além disso, Fadul destacou que a busca global por diversificação de investimentos, especialmente fora do setor de tecnologia, está beneficiando o mercado brasileiro. Países voltados à produção de matérias-primas e produtos agrícolas estão atraindo capital internacional, o que pode fortalecer a bolsa local e diversificar portfólios de investidores. “Nesses últimos quatro anos, meu único diversificador de portfólio para fora do tema IA que deu dinheiro foram esses”, finalizou.