Se na disputa pelo governo de Santa Catarina o instituto Futura atestou o favoritismo do governador Jorginho Mello (PL) para a reeleição, a pesquisa realizada sobre as intenções de voto para as duas vagas ao Senado mostra que os próximos meses serão de sangue, suor e lágrimas. O senador Esperidião Amin (PP) aproveitou bem o período eleitoral e assumiu a ponta no primeiro e no segundo voto, deixando para trás o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada federal Carol de Toni (PL).
No entanto, essa pesquisa destoa de todas as outras divulgadas até agora, que apontam favoritismo de Carlos e Carol, com Amin em terceiro.
É um novo jogo, é um novo cenário. Agora, com a entrada do deputado estadual Antidio Lunelli (MDB) como parceiro de Amin na chapa de João Rodrigues (PSD), são quatro nomes na disputa pelo voto à direita, enquanto a esquerda espera se aproveitar dessa divisão com Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL).
O Futura apresentou dois cenários. No primeiro, ampliado, incluiu Lunelli, que marcou 5,6% – mostrando boa largada na região Norte, onde chega a 21,2%. Esse cenário só não foi profético porque incluiu o ex-senador Dário Berger (PSDB), que marcou 11,7%. Dário não vem para o jogo, indicou a mulher Elaine Huber (PDT) como primeira suplente de Décio Lima (PT).
O segundo cenário é aquele que se desenhava antes da chegada de Lunelli: Esperidião Amin como nome único da aliança entre PSD/MDB/PP/União Brasil, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro pelo PL no comboio do governador Jorginho Mello, Décio e Afrânio no time de Gelson Merisio (PSB) e o empresário do agronegócio Jeferson Rocha pelo PRD de Ralf Zimmer.
Amin mostrou que a estratégia do “senador de Santa Catarina” acertou onde queria. Lidera no primeiro e no segundo voto, abrindo vantagem sobre a dupla do PL. Carlos Bolsonaro fica em segundo, empatado tecnicamente com Carol de Toni.

Esse é o novo ponto de partida da disputa pelo Senado. Amin deixou de ser o azarão para ser o líder da disputa. Não pode ser considerado favorito, porque se trata de uma disputa embolada e pouco previsível. Mas o experiente senador conseguiu se reapresentar ao eleitor catarinense.
É claro que na campanha eleitoral em si, o PL pode entrelaçar os destinos de Carlos e Carol aos de Jorginho e de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina. Resta saber, no entanto, se este primeiro resultado não terá efeito contrário: ampliar as disputas internas e ciúmes do PL catarinense entre o grupo ligados aos filhos de Jair Bolsonaro, do qual obviamente Carlos faz parte, e o grupo ligado à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), onde está a deputada federal.
A própria pesquisa traz instrumentos para fomentar a cizânia. De acordo com o Futura, dos eleitores que escolhem Carol de Toni como primeira opção, 48,5% votam em Amin e 45% em Carlos Bolsonaro. Entre os que preferem o filho de Jair Bolsonaro como primeira opção, apenas 24,9% optam pela deputada federal no segundo voto, contra 39,1% de Amin.
Vai ter DR, claro que vai.
O segundo voto de Amin, por sua vez, mostra o potencial que pode ser explorado pela dobradinha com Lunelli. Quem escolhe o progressista como primeira opção, distribui-se quase na mesma proporção na segunda opção entre Carlos Bolsonaro (25,8%), Carol de Toni (25,7%) e, vejam só, o petista Décio Lima (22,15). Com o emedebista, Amin terá chance de cercar melhor esse segundo voto.
Ao mesmo tempo, se Lunelli cresce – talvez entrando também na disputa pelo segundo voto de Carlos e Carol – o jogo pode ficar aberto para todos. Até para a esquerda.
Dessa forma, o novo cenário apresentado pelo Futura deflagra uma guerra na direita com pelo menos cinco candidaturas competitivas para duas vagas. É o cenário que vimos em 2018, quando Jorginho Mello surpreendeu Raimundo Colombo e Paulo Bauer, ficando com a segunda vaga. É o cenário que vimos em 2002, quando os azarões Ideli Salvatti e Leonel Pavan surpreenderam os favoritos Paulo Bornhausen, Hugo Biehl e Casildo Maldaner.
Como eu disse no primeiro parágrafo serão meses de sangue, suor e lágrimas. E dois rostos sorridentes em 4 de outubro.




