Parceria da Epagri impulsiona pesquisa em aquicultura e agroindústria familiar em Santa Catarina

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Quando o pesquisador do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Cepit/Epagri), Bruno Corrêa da Silva, e a extensionista Tatiane Silva perguntaram aos produtores da Associação de Piscicultores de Massaranduba (Apisma), em 2015, quem estaria disposto a abrir a porteira para um estudo científico em melhoramento genético de tilápia, Marcelo Luchetta não teve dúvida. Fazia cinco anos que ele tinha substituído os campos de futebol por lagoas de cultivo, apostando na atividade. Após 10 anos de parceria, a pesquisa comemora um aumento na produtividade de 25%, e Marcelo, uma produção recorde de 120 toneladas.

“Nós sempre tivemos lagoas de carpa para torneios de pesca, mas naquele tempo, só era possível criar um peixe por metro quadrado. Graças às pesquisas da Epagri, hoje podemos cultivar sete tilápias por metro quadrado, o que tornou a piscicultura bem mais rentável”, justifica.

Hoje, ele cultiva tilápias de diferentes tamanhos em 12 lagoas para atender cerca de 40 fazendas de pesque-e-pague, de Canoinhas a Santo Amaro da Imperatriz. A decisão de fazer a entrega do pescado foi motivada por um grande prejuízo ocorrido em 2019, quando um incêndio na caixa de energia levou à morte 32 toneladas de peixe. Marcelo vendeu um carro, adquiriu um caminhão e teve acesso aos recursos do programa Mais Alimentos para a compra de caixas térmicas utilizadas no transporte de peixe.

“Eu acabei percebendo que levando o produto direto para os clientes eu consigo um preço melhor porque tira a parte do atravessador. Além disso, posso vender peixes de tamanhos variados, enquanto a indústria só aceita tilápias de um quilo”, explica o produtor.

Rendimento de filé alcança 36%

O experimento na propriedade da família Luchetta é realizado em um viveiro de mil m², onde foram colocados sete mil alevinos produzidos no Cepit/Epagri. O pescado é acompanhado a cada 15 dias por técnicos e, mensalmente, por pesquisadores para avaliar o desempenho zootécnico, ou seja, fazer a biometria, avaliar o crescimento e a quantidade de ração necessária para produzir um quilo de peixe.

O trabalho minucioso e constante resultou, ao longo dos anos, no aumento gradativo de carne por unidade de pescado (32%) e na garantia de uma rentabilidade média de 21,76% para o produtor. “Quando começamos a fazer a pesquisa em Massaranduba, estávamos na segunda geração da tilápia, hoje estamos na quarta, e até o final do ano, devemos lançar a quinta. E o peixe se adaptou tão bem na propriedade que, na última safra, o rendimento de filé chegou a 36%”, revela Bruno.

Este aumento de desempenho fez com que, apesar do número de produtores no estado ter apresentado uma leve queda, de 32,2 mil produtores (2016) para 30,4 mil (2025), a produção anual subiu de 43,4 mil toneladas para 50 mil toneladas, segundo dados do Observatório Agro. Outra conquista da pesquisa de melhoramento genético foi o aumento da tolerância do peixe ao frio, que aguenta bem o inverno catarinense.

Piscicultores recebem kits de despesca

Para melhorar a qualidade de vida e a rentabilidade do produtor, o Governo do Estado lançou, em dezembro, o Programa de Fortalecimento Aquícola e Pesqueiro, que será desenvolvido pela Epagri em parceria com a Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ). Na ocasião, foram entregues 14 Kits de despesca.

Um dos kits foi entregue à Apisma na propriedade de Marcelo, em 17 de dezembro. Cada kit é composto por uma esteira a diesel, redes de arrasto, caixas plásticas e balanças digitais, visando diminuir custos operacionais e com a mão de obra, facilitando o escoamento do pescado e a sustentabilidade da atividade.