Um homem de 45 anos perdeu a vida após sofrer uma descarga elétrica em uma cerca elétrica situada em uma propriedade rural na Rodovia do Arroz, no bairro Vila Nova, zona oeste de Joinville. O corpo foi encontrado por suas filhas, que são crianças, ao chegarem ao local e verem o pai caído próximo à cerca energizada.
As meninas pediram ajuda, mas quando o SAMU chegou, não havia mais o que fazer. O falecimento foi confirmado no local, próximo ao acesso de brita que atravessa a propriedade, a poucos metros do gado que pastava na área.
Informações sobre a vítima
Natural de Rebouças, Paraná, a vítima residia em Joinville. A morte foi registrada como acidental, mas as circunstâncias que levaram ao contato com a cerca ainda são desconhecidas. Não há informações claras sobre se ele estava realizando algum serviço na estrutura ou se apenas encostou no arame energizado. A elucidação dos fatos deverá vir por meio de um laudo técnico.
Investigação e laudo necroscópico
A área foi isolada para investigação, e a Polícia Científica recolheu o corpo para necropsia, que é o exame que determinará a causa da morte e ajudará a entender a sequência do acidente. A região do Vila Nova é caracterizada por ser uma área rural de Joinville, onde a Rodovia do Arroz é nomeada em função das lavouras predominantes.
Cercas elétricas, nesse contexto, não são utilizadas como uma medida de segurança contra furtos, mas sim como uma ferramenta de manejo para conter o gado dentro de seus piquetes e dividir áreas de pastagem.
É importante destacar que o eletrificador certificado pelo Inmetro opera com pulsos de alta voltagem e baixa corrente, não devendo, em condições normais, causar morte. O perigo surge quando há uma conexão direta à rede elétrica, que transforma a corrente pulsada em contínua, resultando em um choque letal, pois a vítima não consegue se soltar do fio devido à contração muscular.
Legislação e acidentes anteriores
A instalação de cercas elétricas no Brasil é regulamentada por uma lei federal que exige cuidados específicos em áreas urbanas e rurais, incluindo a certificação do energizador. Usar equipamentos não certificados é considerado uma infração e aumenta a responsabilidade em caso de acidentes.
Joinville já registrou incidentes semelhantes em áreas urbanas, levando a desfechos trágicos e investigações criminais. Em 2023, um menino de 11 anos faleceu após encostar em uma fiação elétrica mal instalada, resultando na prisão do proprietário que montou a estrutura sem as devidas normas técnicas. Em outro caso, em 2020, uma mulher morreu eletrocutada ao tentar pular um muro, também devido a uma cerca inadequadamente instalada.
No caso da Rodovia do Arroz, a cerca estava dentro da propriedade da vítima, o que classifica o ocorrido como um acidente e não implica a responsabilidade de terceiros. Porém, a falta de um projeto adequado e a manutenção regular continuam a ser preocupações em todos os casos de acidentes com cercas energizadas.
Os acidentes elétricos seguem sendo uma das causas de morte evitáveis mais comuns no Brasil. Em 2025, o país registrou 917 acidentes desse tipo, com 646 mortes, conforme dados da Abracopel, que monitora incidentes elétricos. A taxa de letalidade é alarmante, chegando perto de 70%, uma das mais altas do mundo.
As recomendações incluem o uso de eletrificadores homologados, aterramento correto, placas de advertência e a chave geral desligada antes de qualquer trabalho na cerca. Manutenções em cercas energizadas devem ser feitas com cautela, pois o risco de acidentes aumenta consideravelmente em condições inadequadas.
