Operação bloqueia R$ 15 milhões de funerárias na Grande Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Combate ao Crime Organizado de Florianópolis (DECRIM), deflagrou a Operação Cortejo Oculto para o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão e a execução de diversas ordens cautelares de bloqueio de bens, com constrição patrimonial estimada em até R$ 15 milhões. As ordens judiciais foram cumpridas em Florianópolis e São José.

Esta operação é desdobramento de informações que tiveram origem em apurações conduzidas pelo GAECO/SC no ramo funerário, especialmente nas operações “Mercadores da Morte” e “Caronte”. A primeira teve como foco a suspeita de cartel e práticas anticompetitivas na prestação de serviços funerários, com diligências em Florianópolis, São José e Criciúma. Já a Operação “Caronte” avançou sobre um conjunto mais amplo de condutas, reunindo apurações relacionadas a crimes contra a administração pública, fraudes em licitações/contratações.

Com base na evolução desses elementos informativos, a Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DECRIM) instaurou investigação própria com foco específico na lavagem de dinheiro e na reconstrução da “trilha do dinheiro”, visando identificar ocultação e dissimulação de valores relacionados a um grupo sob apuração por fraudar procedimentos licitatórios em municípios catarinenses, com ramificações investigadas em Florianópolis e Criciúma. Notícia de Fato Criminal instaurada no Ministério Público de Santa Catarina, solicitando investigação de possível crime de Lavagem de Capitais, reforçou a necessidade de aprofundamento das diligências patrimoniais e financeiras.

Durante as investigações foram reunidos elementos obtidos mediante autorização judicial, com exame de movimentações bancárias, registros fiscais e documentos correlatos, a fim de identificar padrões típicos de dissimulação patrimonial, como circulação sucessiva de recursos, uso de terceiros e fracionamento de operações, com potencial objetivo de dificultar o rastreamento e conferir aparência de legalidade a valores possivelmente vinculados a crimes antecedentes.

Entre os pontos centrais sob apuração, há indícios de que parte do grupo tenha estruturado uma empresa do tipo “holding” para concentrar o recebimento de grande quantidade de dinheiro e na sequência, promover a circulação desses valores por operações financeiras e empresariais, com potencial finalidade de ocultar a origem e o real beneficiário dos recursos. Dentro do conjunto analisado, constam transações em montantes milionários, incluindo volume aproximado de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) em operações sob exame, o que reforçou a necessidade de medidas cautelares patrimoniais para prevenir dissipação de bens e preservar ativos.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, houve apreensão de telefones celulares, dinheiro em espécie, veículos e a adoção de medidas de bloqueio de contas bancárias, além das demais constrições patrimoniais determinadas, com a finalidade de resguardar a continuidade das apurações e impedir a movimentação de recursos potencialmente relacionados aos fatos investigados.

A Polícia Civil esclarece que as diligências seguem em andamento e que a divulgação de detalhes adicionais permanece condicionada ao sigilo necessário para preservar a efetividade das medidas e não comprometer o avanço das apurações. Novas fases e outras medidas cautelares não estão descartadas, a depender dos elementos arrecadados.

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