Suelen Manoel Borges foi capturada na tarde de quinta-feira (15) no bairro São Tomás, em Imaruí, no Sul de Santa Catarina. A mulher, condenada a 17 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por ter ateado fogo no marido em Araranguá, estava foragida desde fevereiro, quando o Tribunal do Júri proferiu a sentença.
Prisão realizada pelo Gaeco
O mandado de prisão foi cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina, com o apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil de Pescaria Brava. A ação faz parte do Projeto Kratos, que visa capturar foragidos condenados por crimes graves. A localização de Suelen ocorreu após um mês de investigações.
Condenação e detalhes do crime
A pena foi imposta pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Araranguá, resultante do crime de homicídio qualificado. Após os procedimentos na delegacia, Suelen foi encaminhada ao sistema prisional para iniciar o cumprimento da pena. O julgamento ocorreu em 4 de fevereiro, no Fórum de Araranguá, e a execução da pena foi determinada no dia seguinte, 5 de fevereiro. Desde essa data, a polícia não conseguiu localizar a condenada.
O crime se deu na noite de 20 de agosto de 2020, na residência do casal, no Residencial Flor do Campo. O Ministério Público denunciou que Suelen jogou gasolina em seu marido e ateou fogo em seu corpo. O homem sofreu queimaduras em aproximadamente 40% da superfície corporal, especialmente no rosto, tórax, braços, abdômen e região genital. Ele foi levado ao Hospital Regional de Araranguá, onde faleceu quatro dias após o incidente, em 24 de agosto, devido a uma parada cardiorrespiratória originada pelas lesões.
Complicações no julgamento
O processo judicial enfrentou dificuldades, levando mais de cinco anos para ser julgado, com o júri sendo interrompido em diversas ocasiões. A terceira sessão foi a única que culminou em um veredicto. Em setembro de 2025, o júri foi paralisado quando Suelen passou mal. A segunda sessão foi anulada pela juíza Thania Mara Luz após a descoberta de que duas juradas trocaram informações sobre o caso. O promotor de Justiça, Gabriel Meyer, relatou que a juíza multou a jurada responsável pela interrupção do julgamento.
A mãe da vítima esteve presente no júri como informante, expressando a dificuldade de reviver a situação e a esperança por um julgamento justo. A acusação ressaltou que o crime ocorreu na presença dos filhos da vítima e explorou a relação doméstica. A defesa, por sua vez, postulou a absolvição, alegando suicídio e negando a responsabilidade de Suelen, e posteriormente pediu a absolvição por clemência. Os jurados, no entanto, condenaram Suelen por homicídio qualificado.
A defesa também solicitou que a pena fosse cumprida em prisão domiciliar, argumentando que Suelen é mãe de um menino de 12 anos. A juíza informou que essa solicitação deveria ser analisada pelo Juízo de Execução da Pena. Antes do julgamento, a defesa já havia recorrido ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que negou o recurso em dezembro de 2024.
Suelen agora está sob a custódia da Justiça, aguardando o início do cumprimento de sua pena.
