O início da campanha eleitoral de 2026 foi marcado por eventos significativos, como a tentativa de interferência nas eleições por parte do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a resiliência do presidente Lula, que se mantém na liderança das pesquisas, com cerca de 40% dos votos totais e 45% dos válidos entre 7 e 14 de setembro.
Tentativa de interferência eleitoral
Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, atua como relator das investigações sobre fraudes no INSS e crimes do Banco Master, demonstrando parcialidade em favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula. Desde a pré-campanha, as investigações foram acompanhadas de vazamentos seletivos que protegiam Flávio, enquanto figuras próximas a Lula eram alvo de investigações rápidas.
O juiz aplicou critérios diferentes para investigações de políticos, autorizando diligências contra Jaques Wagner em apenas sete dias, enquanto processos envolvendo Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, demoraram meses. Além disso, Mendonça bloqueou investigações contra figuras como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, aliados dos Bolsonaros.
Mudança na dinâmica da disputa
Mendonça também entrou em conflito com Alexandre de Moraes, investigando-o por supostos vínculos com Daniel Vorcaro, o que permitiu que Flávio recuperasse parte da iniciativa política. Até então, Mendonça gerava apoio público e críticas a Moraes, mas a situação mudou quando ele afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o que acentuou suas intenções de interferir nas eleições.
Lula respondeu a essa ofensiva com um pedido de quebra do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, buscando transparência e enfrentando a tentativa de golpe de Mendonça. Com a revelação de que Flávio é investigado pelo STF e pela PF desde julho de 2026, a situação para o candidato do PL se torna mais complicada.
O retorno à defensiva
Os desdobramentos da crise no STF incluem julgamentos agendados para 15 e 23 de setembro, mas, do ponto de vista eleitoral, Lula conseguiu resistir ao pior momento, conforme mostram as pesquisas da Quaest, AtlasIntel e Datafolha. Lula continua com cerca de 40% dos votos totais, enquanto Flávio se mantém na faixa dos 35%.
A polarização tende a aumentar nos últimos dias da campanha, com ambos os candidatos crescendo nas intenções de voto. Contudo, Lula agora possui a vantagem de ressaltar que Flávio enfrenta investigações que podem afetar sua imagem, colocando-o novamente na defensiva política.
