O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou nesta quinta-feira (11), durante evento do partido em Balneário Camboriú, que é pré-candidato ao Governo do Estado. Ao contrário de outros eventos em que demonstrou vontade, agora Rodrigues impõe o seu nome, anunciando que medirá forças com o governador Jorginho Mello (PL), que irá disputar a reeleição.
“Ao atual governador, se o seu sonho era ter o PSD em sua chapa, esqueça. Porque eu vou ser candidato, eu vou disputar a eleição. Com o apoio do meu partido e a liberdade que o presidente Kassab nos dá. Não importa quantos virão”, disse Rodrigues, destacando que será “Davi contra Golias, o milhão contra o tostão”.
Em um discurso repleto de recados, Rodrigues anunciou que, a partir de agora, o projeto será conduzido à sua maneira, afirmando que passará a comparar a gestão do governador com a sua administração em Chapecó. “Quem fez mais? Este Governo do Estado contratou projetos e licitou. Eu fiz mais em Chapecó do que ele fez em Santa Catarina. Vamos comparar governo com governo”, provocou.
Em outro momento de seu discurso, o pessedista criticou os extremismos de esquerda e de direita, afirmando que, no país, já não se discutem as pautas de interesse da sociedade. Para ele, a população quer debater as mazelas, o desemprego, a fome, a saúde e a infraestrutura, e lamentou a “lacração” nas redes sociais. “Se eu não suporto mais isso, imagine o trabalhador brasileiro, o empresário, a dona de casa”, declarou.
Uma fonte do partido avaliou que, ao fazer esse discurso, João Rodrigues aponta um caminho que pretende seguir: o de não discutir extremismos ideológicos, dando destaque para as chamadas pautas da rua, ou da sociedade. Mesmo assim, uma liderança pessedista ouvida pela coluna, ao final do evento, destacou que, se for preciso, Rodrigues mostrará de que lado sempre esteve. E isso foi abordado pelo pré-candidato durante o seu discurso, ao se dirigir ao governador.
“Se o assunto é direita, me respeite. Eu sempre estive aqui. Se o assunto é esquerda, eu lhe respeito. Porque o senhor esteve aliado do lado de lá. Eu sempre estive do mesmo lado, sempre estive aqui”, disse Rodrigues.
Em outra parte do discurso, Rodrigues lembrou que o PSD liberou todos os seus prefeitos para que se aproximassem de Jorginho Mello, como forma de não os prejudicar.
“Porque, nesse Estado, ou você é aliado do governador, ou não recebe recursos. Se tirar uma foto ao meu lado, perde um convênio. Governador, a política se faz com P maiúsculo, não com benefícios”, disse o pessedista, pedindo, na sequência, respeito aos prefeitos. “O município não é feito só de obra física. A população brasileira está em busca de líderes e não de covardes que assumem a gestão pública e tentam conquistar na cooptação”, afirmou, levantando o tom do discurso.
Ele ainda anunciou que, em novembro, se licenciará do cargo de prefeito para rodar o Estado. “Eu não estou preocupado com alianças partidárias. Agradeço ao Fábio Schiochet (UB), que esteve aqui. Se não tiver nenhum partido aliado, não tem problema. A minha aliança é com o povo e, como o Luiz Henrique, eu vou bater de casa em casa”, destacou.
O fato é que, após o evento de ontem, João Rodrigues não tem mais como voltar atrás. Santa Catarina já pode considerar que tem duas fortes pré-candidaturas ao governo.




