Um homem de 33 anos, investigado por uma série de homicídios no litoral da Paraíba, afirmou à Polícia Civil ter cometido cerca de 80 assassinatos desde os 13 anos de idade. “Só matei vagabundo”, afirmou à polícia paraibana afirmando ser uma espécie de “justiceiro”. A Polícia Civil investiga ligação dele com facções.
A declaração foi dada durante depoimento após a prisão de Jorlan Lopes da Silva, apontado pelos investigadores como um dos principais executores de uma organização criminosa na região.
Jorlan foi preso no domingo (13), no município de Mulungu (83 km de João Pessoa), após uma operação que mobilizou policiais durante mais de 30 horas. Segundo a investigação, ele teria tentado escapar de um cerco policial e chegou a usar roupas femininas para tentar despistar os agentes.
A Polícia Civil afirma que o homem é investigado por 16 homicídios cometidos desde maio deste ano, quando deixou o sistema prisional em liberdade condicional. Desse total, ele teria confessado formalmente a participação em 11 assassinatos, todos na região do Vale do Mamanguape.
Além disso, havia cinco mandados de prisão expedidos contra ele por diferentes unidades da Justiça paraibana.
Investigado como executor do Comando Vermelho
Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, Jorlan era considerado o principal executor de um núcleo do Comando Vermelho (CV) na região. A polícia afirma que ele receberia ordens para executar pessoas e desafetos ligados à disputa pelo controle do tráfico de drogas.
O suspeito, porém, nega integrar uma facção criminosa.
Ainda conforme a investigação, Jorlan teria pertencido anteriormente à Nova Okaida, grupo criminoso que disputa território com o CV na Paraíba. Depois de deixar a organização, teria sido ameaçado de morte e posteriormente se aproximado do grupo rival.
A polícia relaciona parte dos homicídios investigados justamente à disputa entre as duas organizações criminosas.
Fuga e prisão
A operação que terminou com a prisão começou depois que o setor de inteligência identificou o deslocamento de Jorlan da zona rural de Rio Tinto em direção a Mulungu.
Durante uma abordagem, dois ocupantes do veículo foram detidos, mas o investigado conseguiu fugir para uma área de mata. Equipes especializadas foram mobilizadas e realizaram buscas durante mais de 30 horas.
De acordo com o delegado, Jorlan teria conseguido escapar temporariamente do cerco com a ajuda de moradores. Ele teria colocado roupas femininas, pegado uma criança no colo e caminhado até outra residência.
Os moradores disseram à polícia que teriam sido coagidos a fornecer as roupas. A circunstância ainda está sendo investigada.
Jorlan acabou localizado e preso. Segundo a polícia, ele estava armado com um revólver no momento da captura.
Relato sobre os primeiros homicídios
Durante o interrogatório, o homem afirmou que começou a matar ainda na adolescência. Segundo seu próprio relato, o primeiro homicídio teria ocorrido depois que seu pai, dono de um pequeno comércio, foi morto por um frequentador do estabelecimento.
Jorlan afirmou que passou a agir por conta própria e negou que seus crimes tenham sido praticados exclusivamente a mando de uma facção.
Apesar de admitir os homicídios investigados, ele disse que não atacava trabalhadores ou pessoas que considerava inocentes e afirmou que suas ações seriam uma reação à violência que teria presenciado.
A declaração de que teria cometido cerca de 80 homicídios, entretanto, ainda não foi confirmada pela Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso afirmou que serão necessários outros elementos para verificar a extensão do histórico atribuído ao investigado.
As investigações continuam para esclarecer os homicídios atribuídos a Jorlan e verificar se existem outros crimes relacionados à atuação dele na região.
