Exoneração de Chiodini sela início do desembarque do MDB do governo Jorginho

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A exoneração do deputado federal Carlos Chiodini do comando da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária marca, de forma oficial e documentada, o início do desembarque do MDB do governo de Jorginho Mello.

Publicada por meio de ato do governador no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (28), a saída de Chiodini deixa de ser apenas uma decisão partidária para se transformar em fato político concreto, com reflexos diretos na governabilidade e no desenho das alianças para 2026.

O gesto ocorre na esteira da decisão do MDB de deixar a base governista após o governador anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como futuro vice na chapa da reeleição. A escolha frustrou as expectativas do partido, que trabalhava com a possibilidade de indicar o próprio Chiodini e, assim, preservar protagonismo no projeto eleitoral de Jorginho. A leitura interna foi de que o MDB foi preterido, apesar de ocupar três secretarias estratégicas.

A publicação do ato também revela a cautela do governo. Embora Chiodini tenha deixado o cargo, outros nomes ligados ao MDB seguem no Executivo, indicando que o rompimento ainda não é total. A designação do secretário-adjunto para responder interinamente pela pasta da Agricultura reforça o caráter transitório do momento e sinaliza que o governador busca ganhar tempo enquanto tenta reorganizar sua base política.

Nos bastidores, a avaliação é de que Jorginho Mello pretende manter canais abertos com setores do MDB, apostando em divisões internas do partido. A ausência de algumas lideranças na reunião na segunda-feira (26) que selou o rompimento já havia indicado que a decisão, embora formalmente unânime, não elimina dissidências. Esse cenário alimenta a estratégia da Casa D´Agronômica de evitar um esvaziamento completo e preservar algum grau de apoio na Assembleia Legislativa.

Para o MDB, a saída de Chiodini é o primeiro passo de uma tentativa de recuperar identidade política fora do governo. Ao mesmo tempo, o partido abre mão da máquina administrativa em um ano crucial, o que aumenta o custo de qualquer projeto eleitoral próprio ou de alianças futuras. A equação é delicada: manter coerência política sem perder relevância institucional.

A exoneração publicada no Diário Oficial, portanto, não é apenas um ato administrativo. É o marco inicial de uma nova fase da relação entre o MDB e o governo estadual – uma fase de distanciamento, negociação tensa e incertezas, que deve influenciar diretamente até a eleição de 2026.