Ex-secretário e empresário são presos em operação que investiga corrupção

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou na manhã desta quarta-feira (7) a segunda fase da Operação Sentinela, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos da Prefeitura de Blumenau.

A nova etapa resultou em duas prisões preventivas e no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em Blumenau e Florianópolis. Entre os presos está o ex-secretário municipal André Espezim. O outro detido é um empresário ligado a uma empresa de produção audiovisual de Blumenau.

Segundo o MPSC, a investigação agora apura, além dos fatos inicialmente investigados, possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, obstrução de investigação, falsidade ideológica e falso testemunho.

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Investigação começou em maio

A Operação Sentinela foi deflagrada originalmente em maio de 2026 para investigar suspeitas de corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionadas a contratos firmados pelo município de Blumenau.

As apurações abrangem contratos públicos relacionados a serviços especializados, limpeza urbana e segurança de escolas e creches, celebrados principalmente entre 2021 e 2024.

Na primeira fase, o GAECO identificou suspeitas de direcionamento de processos licitatórios, combinação de preços, eliminação de concorrentes e mecanismos utilizados para a devolução irregular de parte dos valores pagos pela administração pública.

Novas suspeitas levaram às prisões

Com o avanço da investigação, os investigadores passaram a analisar movimentações financeiras consideradas fora do padrão, negociações de bens e operações realizadas por meio de terceiros.

De acordo com o MPSC, surgiram indícios de que pessoas já investigadas, ou ligadas a elas, poderiam estar tentando ocultar patrimônio e disfarçar a origem de recursos que teriam relação com os fatos apurados na primeira fase.

As diligências também apontaram possíveis tentativas de interferência na produção de provas e de obstrução das investigações. Esses elementos levaram a Justiça a autorizar as novas medidas cautelares, incluindo as duas prisões preventivas.

Contratos de segurança estão entre os alvos

Um dos pontos investigados desde a primeira fase envolve contratos de segurança para escolas e creches municipais.

A apuração ganhou atenção após o ataque ocorrido em uma creche de Blumenau, em abril de 2023. Segundo informações divulgadas durante a investigação, posteriormente foram realizados procedimentos para contratação emergencial de serviços de segurança para unidades educacionais.

O caso também envolve contratos de limpeza e outros serviços especializados firmados pelo município.

Materiais serão analisados

Os documentos, equipamentos e demais materiais recolhidos durante os mandados serão submetidos à análise dos investigadores. O objetivo é reunir novas provas e esclarecer a participação dos envolvidos, além de verificar a eventual atuação de outras pessoas.

O processo tramita sob sigilo e, por isso, o Ministério Público ainda não divulgou todos os detalhes das condutas atribuídas individualmente aos presos.

As prisões são preventivas, ou seja, não representam condenação. Os investigados permanecem submetidos à apuração e terão direito à defesa e ao devido processo legal.

As defesas de André Espezim e do empresário ainda não haviam apresentado manifestação pública até a publicação das informações consultadas. O espaço permanece aberto para posicionamento.