A condição climática do El Niño, aliada à diminuição dos estoques de açúcar na Índia, poderá criar um ambiente propício para o mercado de açúcar se tornar extremamente aquecido em 2027, de acordo com Jean-Luc Bohbot, ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, uma empresa de comercialização e processamento de commodities.
Impactos no Brasil e na Índia
Bohbot destacou que o último terço da safra de açúcar no Brasil, o maior produtor global, deve ser impactado por chuvas excessivas. Ao mesmo tempo, a Índia, que ocupa o segundo lugar na produção, poderá ser obrigada a importar quantidades significativas de açúcar. Essa situação pode resultar em novos aumentos de preço, mesmo após um crescimento de 20% observado em agosto.
Riscos de escassez e produção global
O ex-executivo ressaltou que os riscos de escassez de açúcar aumentaram, apesar da recente alta nos preços. Ele apontou que a monção irregular na Índia, aliada a estoques baixos, geraria um déficit na oferta local, levando o país a se tornar um importador ainda maior em 2027. O governo indiano já implementou isenções fiscais para importações com o intuito de melhorar o abastecimento e controlar os preços.
Além disso, Bohbot mencionou que a produção na Europa e na Indonésia foi prejudicada por condições climáticas adversas, e que a Tailândia, segundo maior exportador mundial, verá queda na produção devido à mudança de cultivo de alguns agricultores para mandioca.
Detalhes sobre a produção brasileira
O atraso no processamento da cana-de-açúcar no Brasil, causado por chuvas equivalentes a cerca de 25 milhões de toneladas, pode se agravar, com previsões de mais chuvas em setembro. A produção de açúcar no Brasil pode apresentar queda de 3 a 5 milhões de toneladas em relação à safra anterior, caso as chuvas persistam em outubro e novembro.
Por fim, Bohbot observou que, enquanto os consumidores enfrentam preços abaixo do valor de mercado, os produtores estão em uma posição mais favorável. Ele também mencionou que a situação no Oriente Médio pode influenciar o mercado, com uma expectativa de diminuição no consumo de açúcar na região devido a conflitos militares.
