O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou, nesta terça-feira (4), uma longa mensagem no X (antigo Twitter) em que faz duras críticas à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) e defende a candidatura do irmão, Carlos Bolsonaro, ao Senado por Santa Catarina. O texto, com tom de desabafo e forte apelo à disciplina partidária, expõe publicamente um dos mais significativos atritos internos dentro do bolsonarismo em terras catarinenses.
Na publicação, Eduardo afirma que buscou resolver o impasse “de forma privada”, mas que se viu obrigado a se manifestar após ter suas tratativas “expostas publicamente”. O parlamentar cobra lealdade e hierarquia dentro do grupo político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirma que Campagnolo agiu de forma “inaceitável” ao se insurgir contra a decisão que teria partido da “liderança nacional”, a indicação de Carlos para concorrer ao Senado por Santa Catarina em 2026.
“Um grupo político precisa de estrutura hierárquica e liderança estabelecida, com diretrizes e valores definidos de forma organizada e programática”, escreveu Eduardo. “Goste-se dele ou não, é inegável que meu pai fundou um movimento político. Ele tem um grupo político e é a liderança desse grupo.”
Conflito aberto na direita catarinense
A declaração ocorre após Ana Campagnolo – uma das principais figuras da direita catarinense e reeleita em 2022 como a deputada estadual mais votada do estado, ter criticado publicamente a possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar o Senado por Santa Catarina. Em mensagens recentes, Campagnolo afirmou que a eventual candidatura do vereador carioca seria “uma imposição de cima para baixo” e que o estado “tem lideranças próprias”.
Eduardo rebateu diretamente a parlamentar, dizendo que as declarações dela foram “inaceitáveis na forma e no conteúdo”. Segundo ele, Campagnolo teria esquecido o papel que a liderança bolsonarista teve na projeção de sua carreira política.
“Relembro que em 2018 a própria Campagnolo enfrentou resistência ao deixar o Oeste catarinense e mudar-se para Joinville. Muitos queriam barrar sua candidatura sob o pretexto de que ela ‘não era dali’. Eu a defendi e não me arrependo. (…) Pois bem: o mesmo princípio que defendi para ela, defendo agora para Carlos Bolsonaro – deixemos o povo catarinense decidir se ele é ou não um bom candidato.”
“Compromisso político” e disciplina partidária
No texto, Eduardo Bolsonaro argumenta que quem recebe apoio do grupo político de seu pai assume um “compromisso político” que deve ser honrado com lealdade. O parlamentar reforçou a ideia de que o movimento liderado por Jair Bolsonaro não é uma “estrutura anárquica”, mas uma organização com comando definido, onde divergências devem ser tratadas internamente.
“Quando você nos procurou, lá no início da sua jornada, para pedir nosso apoio político, você assumiu um compromisso. O que não dá é para pedir nosso apoio e, em contrapartida, negar subordinação. Não dá para querer o benefício da liderança, mas recusar o ônus que vem com ela.”
O deputado também critica o momento escolhido para a disputa, afirmando que a discussão eleitoral ocorre quando “a liderança está prestes a ser presa injustamente” – em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta investigações e ações judiciais.
“De todos os momentos possíveis, este é o pior. Seu esforço deveria estar voltado a combater a injustiça e lutar pela anistia das vítimas da tirania – não em cálculos eleitorais”, afirmou.
Defesa da candidatura de Carlos Bolsonaro
O cerne da controvérsia está na suposta decisão da cúpula do PL, e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, de apoiar Carlos Bolsonaro como um dos nomes do partido para disputar o Senado por Santa Catarina. O estado deve ter duas vagas em disputa em 2026.
Eduardo defendeu a escolha como um ato de coerência e não de imposição:
“Há duas vagas ao Senado e a liderança do presidente, que merece nosso respeito, escolheu Carlos para uma delas – ou será que é um sacrifício tão grande aceitar que o líder possa tomar uma decisão como esta?”
O deputado também argumenta que o movimento político precisa superar o que chamou de “campo desordenado” e adotar uma lógica mais organizada, com “papéis e lugares bem definidos” para cada liderança.
Repercussão e bastidores
A fala pública de Eduardo Bolsonaro evidencia a disputa interna dentro do PL e do bolsonarismo catarinense, que se intensifica à medida que o partido inicia articulações para as eleições de 2026.
Aliados da deputada, porém, veem com desconforto a tentativa de impor candidaturas vindas de fora do estado. Já a ala ligada à família Bolsonaro argumenta que a força política do ex-presidente e de seus filhos tem alcance nacional e deve se refletir na montagem das chapas estaduais.
Nos bastidores, dirigentes do PL catarinense tentam minimizar o conflito e evitar que a disputa se transforme em uma ruptura dentro do partido.




