O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse, à CNN, nesta quarta-feira (19), que cogita deixar o cargo definitivamente.
“Sim, positivo. Cogito. Eu só vou ter tranquilidade de voltar ao Brasil quando Alexandre de Moraes não for mais ministro da Suprema Corte ou estiver sendo posto no devido lugar dele. Fora isso, não tenho a possibilidade de voltar ao Brasil”, disse o parlamentar ao ser questionado durante o CNN Arena.
Ele disse ainda que “não faz sentido eu retornar ao Brasil para uma candidatura em 2026 com o atual cenário político”.
O deputado ainda não apresentou à mesa diretora da Câmara o pedido de licença anunciado ontem por ele nos EUA. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara.
De acordo com as regras da casa, Eduardo tem direito a até 120 dias de licença sem remuneração para tratar de interesse particular. Mas, para ter direito ao benefício, precisa pedi-lo à mesa diretora —o que ainda não fez.
Eduardo disse que ainda não pediu a licença e citou burocracias. “Essas burocracias estão sendo feitas agora. Estou em contato com minha assessoria. Muita coisa para ver aqui ainda com relação a aluguel de casa, documentação, visto e etc. Está meio que uma confusão aqui na minha vida”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.
Deputado anunciou licença no fim da manhã de ontem. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo afirmou que continuará nos EUA para buscar punições contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. A corte está às vésperas de decidir se torna réu ou não o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Eduardo, por tentativa de golpe.
Sem provas, Eduardo falou em “regime de exceção”. Entretanto, o Brasil não vive um regime desse tipo, que é caracterizado por uma situação na qual direitos previstos por lei estão suspensos. “Em um regime de exceção, a Constituição não é respeitada e direitos individuais ficam suspensos”, diz Conrado Gontijo, advogado criminalista e professor da PUC-SP.