Debate sobre Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte em Florianópolis

A discussão em torno da criação do Parque Urbano e da Marina da Beira-Mar Norte em Florianópolis gerou reflexões sobre o futuro da cidade, abordando temas como desenvolvimento econômico, qualidade de vida e acesso a espaços públicos. O evento ocorreu na quarta-feira (14), no auditório do Trompowsky Corporate, reunindo representantes do setor público e do mercado imobiliário.

Impactos do Empreendimento

Moderado pelo colunista Renato Igor, o debate explorou as potenciais consequências do projeto para o turismo, a valorização do mercado imobiliário, a mobilidade urbana e a ocupação do espaço urbano. Um dos pontos destacados foi a importância de garantir que as mudanças na cidade beneficiem toda a população, sem aumentar as desigualdades no acesso à infraestrutura e aos espaços.

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Carlos Berenhauser Leite, presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, enfatizou a necessidade de valorizar o centro da cidade sem deslocar os moradores atuais. Ele ressaltou que a revitalização da área deve estar atrelada à economia e à qualidade de vida da população.

Além disso, Leite mencionou que a construção da marina poderia reabrir discussões sobre o transporte aquaviário em Florianópolis, revitalizando um plano que data de 1992.

Turismo Sustentável

O Parque Urbano e a Marina foram apresentados como iniciativas com potencial para transformar a relação da população com a orla e dinamizar a economia local. Fabrício Schveitzer, executivo do setor imobiliário, afirmou que Florianópolis tem se preparado para aproveitar novas oportunidades de desenvolvimento nas áreas de educação, saúde e infraestrutura.

Entretanto, ele apontou que a cidade ainda carece de uma cadeia turística consolidada que ofereça opções durante todo o ano. “Florianópolis não possui uma indústria do turismo estruturada”, disse, questionando o que os visitantes fariam em dias chuvosos.

Saneamento e Infraestrutura

Schveitzer também destacou que o saneamento é um fator que eleva os preços dos imóveis na cidade, sugerindo que a infraestrutura deve ser compatível com o aumento da demanda por moradia. Referente ao Parque Urbano, ele defendeu que a área deve ser projetada para atender a diversos públicos e não somente a um grupo específico.

A secretária municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Ivanna Tomasi, também abordou a questão do acesso ao novo espaço. A concessão do parque incluirá uma variedade de serviços e estabelecimentos que atenderão diferentes perfis econômicos.

Mobilidade e Planejamento Urbano

Durante o debate, os participantes ressaltaram que os resultados das iniciativas dependerão de decisões sobre mobilidade e planejamento urbano. Tomasi declarou que o planejamento deve equilibrar a proteção do território com o desenvolvimento urbano.

Ela também mencionou que o projeto do sistema de Bus Rapid Transit (BRT) já conta com recursos e está em progresso, com a expectativa de que a primeira etapa seja lançada em março de 2027.

Além disso, a secretária informou que mais da metade dos recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano está sendo direcionada para projetos habitacionais de interesse social.

Valorização Imobiliária

A relação entre infraestrutura e valorização imobiliária foi discutida por Rafael Siqueira, do CRECI-SC. Ele observou que a oferta comercial no Parque Urbano deve se alinhar ao perfil dos frequentadores.

Siqueira também comentou sobre a valorização de imóveis próximos à praia e a atratividade crescente dos bairros litorâneos, ressaltando a importância da proximidade de serviços para os moradores, especialmente aqueles que trabalham em home office.

O engenheiro João Luiz Félix, da JL Construções, empresa vencedora da concessão do projeto, estava previsto para participar, mas não compareceu devido a condições climáticas adversas no Paraná.