Como Lula transformou a política na Bahia e desbancou o carlismo

A disputa pelo governo da Bahia em 2026 traz à tona a rivalidade histórica entre ACM Neto, do União, e Jerônimo Rodrigues, do PT. Esse embate simboliza a transição do carlismo, que dominou a política baiana por décadas, para a hegemonia petista, impulsionada pela figura de Luiz Inácio Lula da Silva.

A batalha política na Bahia

Na corrida eleitoral deste ano, ACM Neto, que tem em seu sobrenome a herança política de Antônio Carlos Magalhães, enfrenta um adversário que, embora tenha menos reconhecimento inicial, conta com o apoio significativo do presidente Lula, um dos mais influentes apoiadores no estado. As pesquisas indicam um empate técnico, refletindo a intensidade da competição.

A trajetória do carlismo na Bahia

Para compreender essa mudança, é essencial recordar o legado de Antônio Carlos Magalhães, que foi três vezes governador e um dos principais nomes da política baiana. O “carlismo” se manifestou de diversas formas, conforme explica o professor Paulo Fábio Dantas Melo. Ele define o carlismo como um grupo de seguidores, um amplo bloco político e, finalmente, uma maneira de fazer política que, embora não esteja mais nas mãos de ACM, ainda influencia a política local.

Segundo Dantas, o carlismo perdeu sua essência após a renúncia de ACM em 2001 para evitar a cassação e após a derrota nas eleições de 2010, quando o PT, sob a liderança de Jaques Wagner, consolidou seu poder no estado.

A nova fase

Atualmente, ACM Neto tenta resgatar a imagem do avô, utilizando jingles de campanhas passadas, mas os analistas políticos apontam que ele está em um “pós-carlismo”, uma nova fase que ainda se beneficia da memória do passado, mas não se limita a ele. O professor Cláudio André de Souza observa que Neto ainda reverencia a imagem de ACM, mas busca se posicionar como uma nova liderança.

A força do lulismo

A vitória de Jaques Wagner em 2006 foi um marco, sinalizando o fim do domínio carlista. Para muitos analistas, essa mudança não se deve apenas à figura de Wagner, mas também à ascensão de Lula, que trouxe consigo uma nova era política. A relação entre governadores e presidentes sempre foi forte na Bahia, e a falta de um apoio federal robusto pode ter custado a campanha de Neto em 2022.

Desta vez, Neto busca apoio em Ronaldo Caiado (PSD), mas enfrenta dificuldades, pois os eleitores lulistas se mostram relutantes a mudar seu voto. O desafio é grande, e os analistas acreditam que Neto precisaria conquistar os votos de quem se identifica com o lulismo para ter uma chance real no pleito.

O cenário da Bahia continua a evoluir, refletindo as complexas dinâmicas políticas que moldam o estado e o país.