Um vereador e seis advogados estão entre os 13 presos na Operação Entre Lobos, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) na terça-feira (22). A investigação apura um esquema de fraudes milionárias contra idosos.
A operação foi deflagrada em cidades de Santa Catarina, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Alagoas. Alguns dos suspeitos presos estão ligados a atividades jurídicas.
A operação desmantela um suposto esquema de fraudes bancárias contra idosos, aposentados e pessoas vulneráveis no Brasil.
Suspeitos presos em Santa Catarina
Em Santa Catarina foram presas sete pessoas em diferentes regiões do estado. Veja abaixo:
Chapecó
- Sócio-administrador da Ativa Precatórios, João Paulo Ferronato (prisão preventiva);
- Advogado Pablo Augusto Urqueta Gomez, com registro na subseção da OAB de Palmitos (prisão preventiva).
Xanxerê e Xaxim
- Em Xanxerê, a advogada Gabriele Juli Gandolfi, da OAB local (prisão temporária);
- Já em Xaxim, o advogado e atual vereador do município, Uilian Cavalheiro, ligado à subseção da OAB de Xaxim (prisão preventiva).
Itapiranga, Pinhalzinho e Irineópolis
- Em Pinhalzinho, foi presa Ilete Maria Rodrigues de Farias (prisão temporária);
- Em Itapiranga, a polícia prendeu Jacinta Maria Nyland (prisão temporária);
- Já em Irineópolis, foi presa Mirian Kelli Klodzinski (prisão temporária).
Suspeitos presos em outros estados
Rio Grande do Sul
- Foi preso na cidade de Planalto, Leonel Paludo (prisão temporária).
Ceará
- Cientista em Inteligência Jurídica Aplicada, Osvaldo Janeri Filho (prisão preventiva);
- Advogada Laliane Correia de Arruda, inscrita no conselho seccional do Ceará (prisão preventiva);
- Advogada Thais de Mendonça Angeloni, inscrita no conselho seccional do Ceará (prisão preventiva).
Nota da Redação inclusa em 26/05/2026: A advogada Thais de Mendonça Angeloni teve a prisão preventiva revogada, “não subsistindo qualquer medida restritiva vigente“, informou o advogado Reginaldo Humberto de Alencar, pontuando ainda que Thais “não possui qualquer condenação criminal ou decisão desfavorável em seu nome”. Reginaldo ainda solicitou a retirada do nome de Thais desta notícia. No entanto, a editoria decidiu mantê-lo, visto que trata-se de matéria sobre fato realmente acontecido em 22 de julho de 2025. Olhar SC não fez nenhum juízo de valor sobre Thais de Mendonça Angeloni, apenas retratou sua prisão em operação do Gaeco, como, de fato, ocorreu naquela data. A matéria trata todos os detidos naquela ocasião como suspeitos e cabe à Justiça decidir se eles são culpados ou inocentes das acusações do Ministério Público.
Bahia
- Advogado Julio Manuel Urqueta Gomez Júnior, om registro ativo na OAB em Chapecó (prisão preventiva);
- Advogada Cassiane Rigo, também vinculada à subseção chapecoense (prisão preventiva).
Características do suposto esquema criminoso
A investigação, iniciada há quase um ano a partir de denúncias que apontavam a exploração financeira de vítimas por meio de cessões de crédito judicial, revelou um esquema sofisticado e coordenado que operava através de múltiplas estratégias predatórias.
A suposta organização criminosa abordava vítimas, predominantemente idosos e aposentados, em suas residências ou por outros meios, oferecendo a propositura de ações revisionais de contratos bancários. Após o ajuizamento dessas ações, muitas vezes sem o devido discernimento dos clientes e sem qualquer informação sobre o processo, as vítimas eram induzidas em erro e ludibriadas a assinar contratos de cessão dos valores de direitos judiciais, resultantes das ações propostas, às empresas de fachada que integravam a organização criminosa.
A apuração também apontou a captação de clientes via internet, com o uso do Instituto de Defesa do Aposentado e Pensionista (IDAP), uma fachada institucional para direcionar as vítimas ao esquema fraudulento. As pessoas entravam no site e assinavam os documentos necessários para a organização criminosa ajuizar a ação. O site do IDAP é exposto em âmbito nacional para atrair aposentados, pretensas vítimas da organização.
As cessões de crédito eram firmadas por valores significativamente abaixo dos montantes reais a receber nas ações judiciais. A análise dos dados coletados durante a investigação revela a dimensão da exploração praticada contra as vítimas, com idade média de 69 anos. As vítimas eram levadas por integrantes do grupo a cartório para reconhecimento de firma, visando dar aparência de credibilidade à negociata espúria.
Até o momento foram identificadas cerca de 215 vítimas do suposto esquema criminoso, porém há uma estimativa de que mais de mil pessoas podem ter sido lesadas pela em SC e em outros estados, demonstrando a magnitude e o alcance interestadual desta estrutura fraudulenta.
Com informações do Gaeco e do ND+




